O Brasil vive um momento de transformação em sua estrutura econômica. Dados da Pnad Contínua, divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE, revelam que o país alcançou o recorde histórico de 143 milhões de pessoas com rendimento em 2025. O movimento é puxado, principalmente, pela força do mercado de trabalho, que já garante sustento habitual para mais de 101 milhões de brasileiros.
O reflexo desse aquecimento é sentido no bolso: o rendimento médio real de todas as fontes subiu para R$ 3.367, um aumento de 5,4% em relação ao ano anterior. Quando olhamos apenas para o rendimento vindo do trabalho, o valor sobe para R$ 3.560, consolidando um ganho real para o trabalhador.
Um dos pontos mais celebrados no relatório é a redução da dependência de programas sociais. A proporção de lares que recebem o Bolsa Família caiu de 18,6% para 17,2%. Segundo o IBGE, essa variação ocorre porque, enquanto os benefícios sociais mantiveram valores estáveis, a renda vinda do emprego e de outras fontes, como aluguéis e aplicações financeiras, disparou.
Além do trabalho, o setor de aposentadorias e pensões também atingiu seu ápice, beneficiando 29,3 milhões de pessoas com um valor médio de R$ 2.697. Outro destaque foi o rendimento vindo de aluguéis, que teve um salto impressionante de 11,8% em um ano.
Apesar do otimismo com os recordes, o desafio da desigualdade permanece: o rendimento per capita em lares que ainda dependem do Bolsa Família é de apenas R$ 774, menos de 30% da média dos lares que não precisam do auxílio. Os números mostram um Brasil que trabalha mais e ganha mais, mas que ainda luta para integrar plenamente as fatias mais vulneráveis da sociedade ao novo ciclo de prosperidade.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Redação – Thiago Salles