Casos envolvendo denúncias de constrangimento e assédio em escolas militarizadas do Distrito Federal vêm provocando forte repercussão entre pais, estudantes e profissionais da educação. Relatos apontam práticas consideradas abusivas dentro de unidades escolares administradas em parceria com forças militares.
Entre as denúncias estão punições físicas, ameaças de suspensão, advertências por aparência e até abordagens constantes contra estudantes dentro das salas de aula.
Uma das situações que mais repercutiram envolve o filho da professora Fabiana Alves de Carvalho, estudante do Centro Educacional Myriam Ervilha, recentemente militarizado pelo Corpo de Bombeiros. Segundo a mãe, o adolescente de 14 anos passou a sofrer perseguições após se recusar a cortar os cabelos crespos e longos.
Fabiana afirma que os militares alegaram que o cabelo do jovem “não se encaixava no padrão exigido” pela escola. A mãe tentou argumentar que o visual fazia parte da identidade pessoal do filho, mas, segundo ela, as abordagens continuaram.
De acordo com o relato, o estudante teria sido retirado diversas vezes da sala de aula, inclusive durante atividades avaliativas, além de receber advertências e sofrer comentários considerados humilhantes.
“Disseram ao meu filho que ele deveria sentir vergonha por dar esse trabalho aos pais”, contou Fabiana.
Ainda segundo a professora, militares chegaram a afirmar que “não adiantava recorrer à Justiça” porque “ninguém nunca ganhou deles”.
A mãe afirma ter procurado o Ministério Público após considerar que o filho estava sofrendo perseguição psicológica e prejuízos pedagógicos dentro da escola.
O adolescente passou a demonstrar medo e desânimo para frequentar as aulas. Segundo Fabiana, o filho chegou a pedir diversas vezes para permanecer em casa devido ao receio constante de novas abordagens.
As denúncias reacenderam o debate sobre o modelo de militarização das escolas públicas no Brasil. Críticos afirmam que o ambiente escolar deve priorizar práticas pedagógicas, acolhimento e direitos humanos, enquanto defensores do modelo alegam que a presença militar contribui para disciplina e organização.
Após reuniões com a direção da escola e o acompanhamento do Ministério Público, a família afirma que houve recuo nas abordagens contra o estudante.
O caso segue gerando discussões nas redes sociais e entre especialistas da área da educação.
Foto: Reprodução/Instagram
Redação – Thiago Salles