O presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu a continuidade do debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, mesmo após o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, sugerir o adiamento da discussão para depois do período eleitoral.
A declaração ocorreu durante a assinatura de um acordo de cooperação entre o governo federal e a entidade industrial, voltado ao fortalecimento de ações contra práticas desleais no comércio exterior. Durante o evento, Skaf afirmou que temas sensíveis deveriam ser debatidos apenas em 2027, argumentando que anos eleitorais tendem a gerar conflitos entre interesses políticos e econômicos.
Em resposta, Alckmin afirmou que a redução da jornada de trabalho é uma tendência observada em vários países e que o tema precisa ser debatido com profundidade, considerando as diferentes realidades do setor produtivo. Segundo ele, trata-se de um debate relevante que não deve ser apressado, mas também não deve ser adiado indefinidamente.
Durante a cerimônia, foram assinados dois protocolos de intenções entre o ministério e a Fiesp. Um deles trata da cooperação em defesa comercial, com o objetivo de fortalecer o comércio justo e combater práticas ilegais no mercado internacional. O outro aborda melhorias no ambiente regulatório, buscando reduzir burocracias, custos e barreiras para empresas, além de ampliar a digitalização de serviços públicos.
Alckmin também demonstrou otimismo em relação à economia, afirmando esperar que o Comitê de Política Monetária inicie a redução da taxa básica de juros já na próxima reunião. Segundo ele, fatores como a valorização do real e a desaceleração no preço dos alimentos contribuem para esse cenário.
O presidente em exercício comentou ainda a nova tarifa global de 15% anunciada pelos Estados Unidos, avaliando que a medida pode beneficiar o Brasil ao estabelecer condições iguais para todos os países, diferente do modelo anterior que impunha taxas mais elevadas a produtos brasileiros.
As declarações reforçam a disposição do governo em avançar em temas econômicos estruturais, enquanto mantém diálogo com o setor produtivo sobre competitividade, comércio internacional e condições de trabalho.
Foto: Marcelo Camargo
Redação Brasil News