Brasil pode virar potência global da energia até 2028 — mas há um problema que preocupa o setor.

Economia Negócios

O Brasil está prestes a dar um salto histórico no setor elétrico. Projeções indicam que o país pode se tornar o segundo colocado no ranking global de liberdade de energia até 2028, ficando atrás apenas do Japão.

A estimativa foi divulgada pela Abraceel e está diretamente ligada à ampliação do chamado Mercado Livre de Energia, que permitirá a consumidores escolherem de quem comprar eletricidade — algo que hoje ainda é limitado.

Essa transformação foi impulsionada pela Lei 15.269/2025, que prevê a abertura total do mercado até novembro de 2028. A medida estabelece um cronograma que inclui desde consumidores industriais até residenciais, democratizando o acesso ao setor.

Atualmente, o Brasil ocupa apenas a 41ª posição entre os países avaliados pela Agência Internacional de Energia. No entanto, o avanço regulatório já vem mudando esse cenário: em 2019, o país estava na 55ª colocação.

Com a abertura completa, o consumidor poderá escolher fornecedores de energia, negociar preços e buscar opções mais sustentáveis, como fontes renováveis. Isso tende a aumentar a competitividade e estimular investimentos no setor.

Apesar do cenário promissor, há um ponto de atenção. A própria Abraceel alerta para a elevação e a volatilidade dos preços no mercado livre. Um dos fatores responsáveis é o modelo de formação de preços, baseado no chamado PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), que pode variar conforme condições do sistema elétrico.

Outro elemento citado é a adoção do modelo conhecido como “Newave híbrido”, que aumentou a sensibilidade ao risco e impactou diretamente os valores da energia, mesmo em cenários com bons níveis de reservatórios.

Na prática, isso significa que, embora o mercado esteja mais aberto, os custos podem continuar elevados — o que gera incertezas para empresas e investidores.

Hoje, o mercado livre já representa cerca de 42% do consumo nacional de energia. Com a ampliação prevista, esse percentual deve crescer ainda mais, tornando o tema central para o futuro da economia brasileira.

O desafio agora será equilibrar abertura de mercado com estabilidade de preços, garantindo que os benefícios cheguem de fato ao consumidor final.

Se bem conduzida, essa mudança pode posicionar o Brasil como um dos protagonistas globais na transição energética — unindo liberdade de escolha, competitividade e expansão das energias renováveis.

Foto: Freepik
Redação – Thiago Salles

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