Economia brasileira avança no terceiro trimestre, mas ritmo fica abaixo das expectativas.

Economia

A economia brasileira apresentou crescimento de 0,1% no terceiro trimestre de 2025 em comparação com os três meses anteriores, de acordo com os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado confirmou um desempenho positivo, porém abaixo das projeções do mercado financeiro, que estimavam avanço de 0,2%.

Após um início de ano impulsionado pela safra recorde de grãos, a atividade econômica passou a dar sinais de perda de fôlego. Um dos principais fatores apontados para essa desaceleração é a manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado. A Selic atravessou todo o terceiro trimestre fixada em 15% ao ano, o que acaba restringindo investimentos produtivos e limitando o consumo de parte da população.

A política de juros altos é utilizada pelo Banco Central como ferramenta para conter a inflação, reduzindo a demanda por bens e serviços. Esse movimento, embora importante para o controle de preços, acaba produzindo efeitos diretos sobre o ritmo da economia.

Em contrapartida, o mercado de trabalho tem apresentado sinais de resistência. Com a taxa de desemprego em queda e a renda média em elevação, o consumo das famílias segue dando algum suporte à atividade econômica, suavizando os impactos negativos da política monetária mais apertada.

O cenário internacional também influenciou o desempenho do terceiro trimestre. Em agosto, entrou em vigor o aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, medida que afetou parte das exportações. Algumas dessas sobretaxas já foram revertidas, e o governo federal segue negociando novas flexibilizações.

Para o acumulado de 2025, o mercado financeiro projeta crescimento em torno de 2,16%, segundo o boletim Focus. O Ministério da Fazenda trabalha com uma estimativa levemente superior, de 2,2%. Ambos os números indicam desaceleração em relação a 2024, quando a economia brasileira cresceu 3,4%.

As projeções para 2026 também são mais cautelosas. O mercado prevê expansão de 1,78%, enquanto o governo estima cerca de 2,4%. Analistas avaliam que o bom desempenho recente do PIB está ligado às políticas de estímulo adotadas pela atual gestão, mas há preocupações crescentes com a situação fiscal do país e dúvidas sobre a disposição do governo em promover ajustes mais rigorosos antes das eleições de 2026.

Foto: Arquivo

Redação Brasil News

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