A inflação brasileira começou 2026 em ritmo de alerta. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,33% em janeiro — mesma taxa do mês anterior — mas acelerou para 4,44% no acumulado de 12 meses, afastando-se do centro da meta oficial de 3%.
O principal motor da alta foi o grupo dos combustíveis, que registrou aumento de 2,14%, com destaque para a gasolina. O reajuste do ICMS acabou anulando parte dos cortes recentes promovidos pela Petrobras e pressionou o setor de transportes. Em contrapartida, a energia elétrica residencial recuou com a bandeira tarifária verde, ajudando a limitar um impacto ainda maior no orçamento das famílias.
No segmento de alimentação, os preços desaceleraram levemente, embora produtos como tomate tenham disparado. Já os serviços apresentaram avanço moderado, influenciados por quedas expressivas nas passagens aéreas e no transporte por aplicativo. O índice de difusão — que mede o espalhamento dos reajustes — subiu para 64%, indicando que a alta de preços está mais disseminada na economia.
O Banco Central do Brasil manteve recentemente a taxa Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a possibilidade de iniciar cortes já em março. Ainda assim, especialistas avaliam que o ciclo deve ocorrer com cautela para evitar novos choques inflacionários. A expectativa do mercado é de que os juros terminem o ano próximos de 12,5%.
Para milhões de brasileiros, o cenário reforça a sensação de custo de vida elevado, enquanto autoridades tentam equilibrar crescimento econômico e controle da inflação — uma equação que seguirá no centro do debate financeiro ao longo de 2026.
Foto: Pilar Olivares / Reuters
Redação Brasil News