Nos últimos dias, o dólar tem registrado queda expressiva frente ao real, fechando cotado a R$ 5,32 e acumulando desvalorização de 15% em 2025. A tendência de baixa da moeda americana tem sido impulsionada por uma combinação de fatores globais e domésticos que vêm favorecendo o Brasil.
Enquanto os Estados Unidos dão sinais de desaceleração econômica e o mercado já antecipa possíveis cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed), o Brasil mantém a Selic em 15% ao ano, o que torna os ativos brasileiros mais atrativos para investidores estrangeiros em busca de maior rentabilidade.
Essa diferença entre as taxas de juros dos dois países tende a atrair fluxo de capital para o Brasil, pressionando o dólar para baixo. Analistas já projetam a possibilidade de a moeda americana alcançar níveis próximos de R$ 5,10 até dezembro, caso o cenário se confirme.
Porém, nem todos os economistas compartilham do mesmo otimismo. Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Pine, alerta para a possibilidade de divergências internas entre os membros do Fed na decisão sobre os juros. Ele aponta três fatores principais: o enfraquecimento do mercado de trabalho americano, o risco de inflação persistente e a pressão política do presidente Donald Trump por cortes mais agressivos.
Além disso, outros elementos como as tensões políticas entre Brasil e Estados Unidos – acentuadas após a condenação de Jair Bolsonaro pelo STF – e incertezas sobre o déficit fiscal americano podem gerar volatilidade cambial.
Apesar dos riscos, a expectativa predominante no mercado é de que o Fed anuncie uma redução de 0,25 ponto percentual nos juros em sua próxima reunião e sinalize novos cortes ainda em 2025. Isso, combinado à manutenção da Selic no Brasil, pode manter o dólar em queda e favorecer a renda variável no país.