Trump reduz exercícios militares com a Coreia do Sul e cita aproximação com Kim Jong-un.

Internacional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (17) que pretende reduzir consideravelmente a participação americana nos exercícios militares realizados em conjunto com a Coreia do Sul.

As manobras anuais, conhecidas como Ulchi Freedom Shield, começaram nesta segunda e têm previsão de duração de 11 dias. A decisão anunciada por Trump ocorre em meio à tentativa de manter uma relação mais próxima com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Em publicação na rede Truth Social, Trump classificou os exercícios como caros e afirmou que eles transmitem uma mensagem considerada hostil a Pyongyang. O presidente americano também destacou sua relação pessoal com Kim Jong-un.

A declaração provocou reação cautelosa em Seul. A presidência sul-coreana afirmou que continuará coordenando os exercícios militares com os Estados Unidos e manifestou expectativa de que a aproximação entre Trump e Kim possa contribuir para novas negociações envolvendo a Coreia do Norte.

Exercícios começaram normalmente

Segundo o Ministério da Defesa da Coreia do Sul, as atividades militares tiveram início conforme o planejamento. A operação deveria envolver aproximadamente 18 mil soldados sul-coreanos, além de parte dos cerca de 28,5 mil militares americanos mantidos pelos Estados Unidos no território sul-coreano.

Os exercícios têm como principal objetivo preparar as forças dos dois países para possíveis ameaças provenientes da Coreia do Norte, que mantém um programa nuclear e realiza testes de mísseis.

Neste ano, as tropas também avaliam novas ameaças relacionadas ao uso de drones, ataques cibernéticos e interferências em sistemas de GPS.

Pyongyang critica exercícios

A Coreia do Norte condenou os exercícios conjuntos na semana passada e afirmou que poderia adotar medidas adicionais de dissuasão.

O regime de Kim Jong-un considera as manobras uma preparação para uma possível invasão. Em meio às tensões, a Coreia do Norte lançou um míssil balístico sobre o Mar do Japão na quarta-feira (12).

Para o professor Leif-Eric Easley, da Universidade Ewha, em Seul, uma redução dos exercícios pode enfraquecer a capacidade de dissuasão dos aliados diante de possíveis conflitos na Ásia.

O especialista também avaliou que eventual economia financeira proporcionada pela redução das operações seria limitada, enquanto os possíveis ganhos diplomáticos com Pyongyang ainda são incertos.

Aproximação com Kim Jong-un

A decisão de Trump ocorre enquanto o governo americano demonstra interesse em preservar canais de diálogo com a Coreia do Norte.

O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, também defende uma postura mais aberta ao diálogo com Pyongyang. Desde que assumiu o cargo, em junho de 2025, ele vem defendendo negociações sem pré-condições.

Até o momento, entretanto, o governo norte-coreano não demonstrou disposição para responder positivamente às iniciativas de Seul.

No mesmo contexto, Kim Jong-un afirmou estar orgulhoso da relação entre a Coreia do Norte e a Rússia em uma mensagem enviada ao presidente Vladimir Putin.

Foto: Helicópteros UH-60 Black Hawk do Exército dos EUA no Campo Humphreys, na Coreia do Sul — Foto: AFP

Redação – Ana Flavia

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