A ex-primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, de 78 anos, foi condenada à pena de morte pelo Tribunal Internacional de Crimes de Daca, que a responsabilizou por comandar a repressão violenta contra protestos estudantis e populares ocorridos em 2024. A decisão, anunciada nesta segunda-feira, reacende a turbulência política no país, que se prepara para novas eleições legislativas.

Sheikh Hasina, ex-primeira-ministra de Bangladesh, é condenada à morte — Foto: Kimimasa Mayama/AFP
Hasina foi julgada à revelia, já que deixou Bangladesh em agosto do ano passado, fugindo para a Índia após manifestantes ocuparem sua residência oficial. Desde então, vive em exílio e nega todas as acusações. Em comunicado divulgado por seus advogados, ela classificou o veredicto como um ato “politicamente orientado” e conduzido por “um governo sem legitimidade democrática”.
Segundo o tribunal, mais de 450 pessoas morreram durante a repressão que marcou o colapso de seu governo. Os juízes afirmaram que houve uso deliberado de força letal contra civis, além de ordens diretas para execuções. O presidente do tribunal, juiz Golam Mortuza Mozumder, declarou que os elementos característicos de crimes contra a humanidade estavam presentes.
A queda de Hasina encerrou um período de 15 anos contínuos no poder, marcado por forte crescimento econômico, mas também por denúncias de perseguição política e violações de direitos humanos. A crise que culminou em sua renúncia começou com protestos liderados por estudantes universitários contra cotas de emprego no serviço público. As manifestações rapidamente se ampliaram para reivindicações de renúncia e confrontos violentos com forças de segurança.
Após a fuga da premiê, o país passou a ser governado por uma administração interina liderada pelo ganhador do Nobel da Paz Muhammad Yunus, que criou o tribunal responsável pelo julgamento.
A sentença ocorre em um momento delicado para Bangladesh, com eleições legislativas previstas para os próximos meses. As autoridades reforçaram a segurança na capital, Daca, temendo novas manifestações. Especialistas afirmam que a Índia dificilmente extraditará Hasina, considerada uma aliada histórica e estratégica.
O caso segue despertando atenção internacional, especialmente entre entidades de direitos humanos e governos estrangeiros que acompanham o desdobramento político no sul da Ásia.
Foto: Kimimasa Mayama / AFP
Redação Brasil News