Terremotos podem “ressuscitar” vida microscópica após milhões de anos, revela estudo.

Ciência

Cientistas descobriram que regiões conhecidas como zonas de subducção — onde uma placa tectônica mergulha sob outra — funcionam como uma espécie de “bomba natural” capaz de transportar microrganismos enterrados a quilômetros de profundidade de volta à superfície.

Esse processo ocorre quando sedimentos ricos em micróbios são arrastados para o interior da Terra junto com a placa tectônica. Enquanto a maioria desses organismos segue rumo ao interior do planeta, uma pequena parte consegue escapar graças ao movimento das falhas geológicas.

Uma “viagem” que dura milhões de anos

Durante terremotos e até mesmo em movimentos mais lentos das placas, fluidos subterrâneos são empurrados através de fissuras e falhas. Esse fluxo atua como um elevador natural, carregando micróbios dormentes até regiões mais rasas do fundo do mar.

Segundo o pesquisador Zhengze Li, o ciclo completo — desde o soterramento até o retorno à superfície — pode levar dezenas de milhões de anos. Ao chegarem a ambientes com condições mais favoráveis, esses microrganismos podem ser reativados e voltar a se reproduzir.

A “bomba tectônica” da vida

Os modelos científicos indicam que esse mecanismo pode movimentar volumes gigantescos de fluidos ao longo do tempo geológico, transportando quantidades imensas de células microbianas. Esse fenômeno foi apelidado de “bomba tectônica”, por sua capacidade de circular vida microscópica entre as profundezas e a superfície do planeta.

Estudos realizados em regiões como a costa da Costa Rica identificaram uma relação direta entre atividade sísmica e presença de micróbios típicos de ambientes profundos em áreas mais rasas do oceano.

Sobreviventes extremos

Esses microrganismos possuem adaptações impressionantes que permitem sobreviver por milhões de anos em estado de dormência. Entre elas estão mecanismos avançados de reparo de DNA e enzimas capazes de funcionar em condições extremas de pressão, temperatura e ausência de nutrientes.

Essas características garantem que, mesmo após longos períodos enterrados, eles ainda tenham capacidade de voltar à atividade quando encontram condições adequadas.

Mais do que destruição

A descoberta muda a forma como os cientistas enxergam os terremotos. Além de serem eventos destrutivos, eles também desempenham um papel importante na dinâmica da vida no planeta, ajudando a reciclar e redistribuir organismos microscópicos.

O estudo reforça que a Terra ainda guarda processos pouco compreendidos — e que até mesmo fenômenos violentos, como grandes terremotos, podem estar ligados à manutenção da vida em escala global.

Foto: Shutterstock
Redação – Thiago Salles

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