O ano de 2025 caminha para entrar na lista dos mais quentes já registrados no planeta. Segundo levantamento divulgado pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, este pode ser o segundo ou terceiro ano mais quente da história, ficando atrás apenas do recorde absoluto de 2024.
O relatório foi publicado após a realização da COP30, conferência climática realizada no mês passado, que terminou sem a definição de novas metas concretas para a redução das emissões de gases do efeito estufa. A falta de avanços reflete o atual cenário geopolítico, marcado por recuos ambientais dos Estados Unidos e tentativas de flexibilização das metas de corte de carbono por parte de alguns países.
De acordo com o Copernicus, 2025 deve encerrar o primeiro ciclo de três anos consecutivos em que a temperatura média global ultrapassou 1,5 °C acima dos níveis do período pré-industrial, entre 1850 e 1900 — referência usada pelos cientistas para medir o impacto da ação humana no clima.
Para especialistas, esse marco é um alerta direto sobre a velocidade das transformações climáticas. O aumento das temperaturas já vem se refletindo em episódios extremos: nas Filipinas, o tufão Kalmaegi deixou mais de 200 mortos no mês passado, enquanto a Espanha enfrentou os piores incêndios florestais das últimas três décadas. Em Portugal, o fogo também avançou de forma violenta em diversas regiões, como ocorreu em Meda, no verão europeu.
Apesar das variações naturais do clima de um ano para outro, cientistas reforçam que existe uma tendência clara e contínua de aquecimento do planeta. Estudos apontam que a principal causa desse processo é a liberação de gases de efeito estufa, especialmente pela queima de combustíveis fósseis.
A Organização Meteorológica Mundial já confirmou que os últimos dez anos foram, consecutivamente, os mais quentes desde o início das medições globais. O acordo de Paris, firmado em 2015, previa limitar o aquecimento global a 1,5 °C, mas a própria Organização das Nações Unidas já reconheceu que esse objetivo dificilmente será alcançado, pedindo ações mais rápidas e rigorosas por parte dos governos.
Os dados do Copernicus consideram registros a partir de 1940 e são comparados com medições históricas que remontam a 1850, permitindo uma análise ampla da evolução das temperaturas no planeta.

Foto: Pedro Nunes / Reuters
Redação Brasil News