A liquidação do Banco Pleno pelo Banco Central trouxe à tona os impactos financeiros enfrentados pelo banqueiro Augusto Lima, que precisou utilizar cerca de R$ 600 milhões do próprio patrimônio na tentativa de manter a instituição em funcionamento. O objetivo era honrar certificados de depósito bancário (CDBs) que estavam vencendo enquanto buscava um investidor para dar continuidade às operações, o que não se concretizou.
A quebra já era considerada provável por analistas do mercado financeiro, principalmente devido ao elevado volume de passivos assumidos quando Lima adquiriu o antigo banco Voiter, posteriormente rebatizado como Pleno. Na época da compra, o empresário herdou cerca de R$ 6 bilhões em CDBs, o que aumentou significativamente a pressão sobre o caixa da instituição.
Sem liquidez suficiente para cumprir os compromissos, o banco acabou sendo liquidado pela autoridade monetária. Com a medida, os bens de Lima ficaram indisponíveis. O uso de recursos pessoais, por outro lado, tende a reduzir o impacto sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), responsável por ressarcir investidores em caso de quebra.
A trajetória do banco já enfrentava dificuldades desde a aquisição, quando o Banco Central determinou a suspensão da emissão de novos títulos para evitar aumento da exposição ao sistema. O cenário se agravou diante das dificuldades em atrair novos investidores e do histórico de investigações envolvendo empresas ligadas ao antigo conglomerado financeiro.
A liquidação do Pleno se soma a uma série de intervenções em instituições relacionadas direta ou indiretamente ao grupo Master, ampliando o clima de cautela no mercado. O episódio reforça os riscos de operações com grandes passivos e a importância da supervisão regulatória no sistema financeiro.
Foto: Marcello Casal Jr.
Redação Brasil News