Presidente da Febraban rebate vazamento de empréstimo de R$ 5,5 mi no Banco Master e aponta conduta criminosa.

Economia

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, manifestou-se de forma contundente após a divulgação de que contraiu um empréstimo de R$ 5,5 milhões junto ao Banco Master (antigo Banco Máxima) em novembro de 2020. A operação financeira, destinada à aquisição de um apartamento duplex, constava em uma lista de 112 operações de crédito enviada pelo liquidante da instituição à 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O documento faz parte de um processo judicial que apura suspeitas de desvios bilionários na instituição financeira.

De acordo com as informações processuais, o crédito foi firmado originalmente com taxa de juros de 0,85% ao mês (cerca de 10,73% ao ano). Em dezembro de 2021, o contrato foi repassado à Urbaniza Empreendimentos e Participações pelo valor atualizado de R$ 6,1 milhões. No entanto, os registros apontam que o presidente da Febraban havia liquidado integralmente o débito três dias antes dessa cessão de direitos, em 26 de dezembro de 2021.

Defesa ataca vazamento e fala em retaliação

Em nota oficial enviada à imprensa, Isaac Sidney classificou o vazamento da informação como uma tentativa deliberada de desestabilizar sua atuação institucional no enfrentamento a irregularidades no setor financeiro. O executivo ressaltou que sua operação foi legal, de caráter estritamente privado e devidamente encerrada há anos.

“Está muito claro para mim que é criminosa a conduta da ou das fontes da matéria, ao buscarem uma de 112 operações de uma lista sem cabeçalho e sem correlação entre elas, para atingir quem está à frente de uma entidade que continuará a enfrentar esses delinquentes da mais grave fraude no sistema bancário”, declarou o presidente da Febraban.

Sidney também enfatizou desconhecer por completo as razões que levaram o liquidante a incluir seu contrato na petição enviada ao TJ-SP, pontuando que nunca foi notificado, intimado ou procurado por qualquer autoridade judicial ou administrativa a respeito do tema.

Histórico profissional

Antes de assumir o comando da Febraban em março de 2020, Isaac Sidney construiu uma sólida trajetória no ecossistema financeiro e jurídico. Ele ocupou cargos de alto escalão no Banco Central do Brasil, de onde pediu exoneração para atuar no setor privado. Em 2018, prestou assessoria jurídica ao próprio Banco Master por meio do escritório Warde Advogados, meses antes de ingressar na federação dos bancos, em maio de 2019.

A peça jurídica que deu origem à exposição reúne outras cessões de crédito de grande porte que somam centenas de milhões de reais, envolvendo fundos de investimento e operadoras de planos de saúde. Até o fechamento desta reportagem, as empresas Urbaniza e EFB não haviam se pronunciado sobre o caso.

Foto: Redação – Thiago Salles

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