A divulgação do manuscrito em que o ex-presidente Jair Bolsonaro lança o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato ao Palácio do Planalto expôs desalinhamentos nos bastidores da família e do Partido Liberal (PL). Integrantes da legenda relatam que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não foi informada antecipadamente sobre a elaboração ou sobre a estratégia de publicação do documento. No momento em que o texto era redigido e articulado, Michelle participava de um grupo de oração, vindo a tomar conhecimento do teor político da carta apenas após a transmissão ao vivo feita pelo enteado.
A carta, apresentada publicamente no dia 11 de julho, traz a assinatura de Jair Bolsonaro e faz uma defesa enfática da união das forças de direita no país. No texto, ele oficializa Flávio como seu “porta-voz” definitivo e nome principal na disputa presidencial de outubro. No entanto, a pressa em dar publicidade total ao manuscrito acendeu o sinal de alerta para Michelle. A aliados próximos, a presidente do PL Mulher externou receio de que a exposição política do documento servisse de estopim para novas retaliações do Poder Judiciário — um temor que acabou se concretizando dias depois.
“Michelle Bolsonaro expressou profunda preocupação com a divulgação completa do manuscrito. Para ela, a ação foi precipitada e elevou desnecessariamente o risco de novas sanções jurídicas contra o ex-presidente, que já se encontrava sob forte vigilância e restrições penais”, relataram interlocutores à coluna Grande Angular, do Metrópoles.
Reação do STF e isolamento político
O contra-ataque judicial previsto pela ex-primeira-dama ocorreu na noite desta sexta-feira (17). O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), endureceu drasticamente as regras do regime de prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Sob o entendimento de que o ambiente doméstico estava sendo desvirtuado para articulações político-partidárias, o magistrado proibiu visitas com fins eleitorais até o encerramento do pleito geral de 2026.
Como punição direta pela quebra do perfil estritamente pessoal de sua rotina, o ex-presidente teve o direito de receber visitas comuns suspenso por 30 dias — estando autorizado a se encontrar apenas com seus advogados constituídos, médicos e fisioterapeutas. A decisão também manteve o isolamento de Flávio Bolsonaro, que segue impedido de visitar o pai por 90 dias, uma barreira jurídica que, na prática, afasta o pré-candidato do contato direto com o principal cabo eleitoral da direita durante todo o período crítico da campanha eleitoral.
Foto: Redação – Thiago Salles