Paraguai supera US$ 1 bilhão com maquila e Brasil concentra 62% das exportações do regime.

Internacional

O regime de maquila do Paraguai ultrapassou uma marca simbólica em 2026 e reforçou seu peso na economia do país.

Entre janeiro e agosto, as exportações realizadas sob esse modelo chegaram a US$ 1,0123 bilhão, valor 30,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025, segundo dados oficiais do Banco Central do Paraguai.

Somente em agosto, as vendas externas da maquila somaram aproximadamente US$ 153,6 milhões.

No mesmo período, as exportações totais paraguaias alcançaram US$ 14,0253 bilhões, alta de 24,7% na comparação anual.

O desempenho mostra que o regime deixou de ser apenas uma alternativa tributária para empresas estrangeiras e passou a ocupar espaço relevante dentro da produção industrial voltada à exportação.

Brasil é o principal destino

Os números do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai mostram a forte ligação do regime com o mercado brasileiro.

No primeiro semestre de 2026, 78% das exportações de maquila tiveram como destino países do Mercosul.

O Brasil respondeu sozinho por 62% dos embarques, seguido pela Argentina, com 15%. Os Países Baixos ficaram na terceira posição, com 9%.

Entre os principais produtos exportados estão autopeças, confecções e produtos químicos.

As autopeças representaram 32% das exportações da maquila no primeiro semestre, enquanto o setor de confecções e têxteis respondeu por 16%.

Como funciona a maquila

A legislação paraguaia define a maquila como um regime voltado à produção de bens ou prestação de serviços destinados principalmente ao exterior.

Uma empresa estrangeira pode contratar uma operação instalada no Paraguai para executar processos como transformação, fabricação, reparo, montagem ou prestação de serviços.

A Lei nº 7.547/2025 estabelece que essas atividades devem ocorrer dentro de um programa formalmente aprovado e obedecer às exigências previstas para o regime.

Isso significa que simplesmente abrir uma empresa no Paraguai não garante automaticamente acesso aos benefícios da maquila.

É necessário estruturar uma operação enquadrada na legislação, com contrato, processo produtivo ou de serviços, documentação e destinação adequada da produção.

O imposto de 1% tem uma regra específica

Um dos principais atrativos do regime é o chamado Tributo Único de Maquila, com alíquota de 1%.

A legislação, porém, estabelece um detalhe importante.

O imposto incide sobre o valor agregado no território paraguaio ou sobre o valor da fatura de exportação, utilizando-se o que for maior.

Por exemplo: se uma operação exporta US$ 100 mil e agrega US$ 40 mil em valor dentro do Paraguai, a base considerada será de US$ 100 mil. Nesse caso hipotético, o tributo corresponderia a US$ 1 mil.

Por isso, a alíquota de 1% não deve ser interpretada isoladamente como o custo tributário completo de qualquer empresa instalada no país.

Regime já gera mais de 36 mil empregos

O crescimento também aparece no mercado de trabalho.

Segundo o Ministério da Indústria e Comércio, as empresas maquiladoras empregavam 36.052 pessoas no primeiro semestre de 2026.

O número representa crescimento de 1.923 postos de trabalho em relação ao mesmo período do ano anterior, uma alta de aproximadamente 6%.

Os segmentos de confecções e têxteis lideravam a geração de empregos, com 8.363 trabalhadores, seguidos pelo setor de autopeças, com 7.865, e serviços, com 3.982 empregos.

Exportações cresceram mês após mês

Os dados do Banco Central mostram uma aceleração ao longo do ano.

Até julho, as exportações sob o regime totalizavam US$ 858,7 milhões, crescimento de 32,1% em relação aos primeiros sete meses de 2025.

Com os US$ 153,6 milhões registrados em agosto, o acumulado ultrapassou pela primeira vez em 2026 a marca de US$ 1 bilhão.

Entre os produtos que ajudaram a impulsionar o crescimento estão álcool etílico, fios e cabos utilizados principalmente pelo setor de autopeças e artigos têxteis.

Oportunidade para empresas brasileiras exige cálculo além do imposto

A proximidade geográfica e o peso do Brasil como destino tornam o Paraguai particularmente relevante para empresas brasileiras interessadas em reorganizar etapas de produção.

O regime pode ser utilizado em atividades como fabricação de componentes, montagem, confecção, processamento industrial e determinados serviços direcionados ao mercado externo.

Mas a decisão envolve fatores além da tributação.

Custos de logística, energia, mão de obra, câmbio, transporte, regras de origem do Mercosul, estrutura empresarial e produtividade podem alterar significativamente a vantagem econômica de cada operação.

Também não existe garantia automática de tarifa zero apenas pelo fato de um produto ser fabricado sob maquila. Para usufruir de benefícios comerciais dentro do Mercosul, a mercadoria precisa cumprir as regras de origem aplicáveis ao produto.

Paraguai consolida estratégia industrial

Os números de 2026 mostram que a maquila está ganhando escala.

No primeiro bimestre, 81% das exportações do regime já eram destinadas ao Mercosul, e o Brasil concentrava 67% das vendas naquele momento.

Ao longo do ano, a participação brasileira permaneceu dominante, mesmo com a expansão de outros mercados.

Para o Paraguai, o modelo se tornou uma ferramenta de atração de investimentos, industrialização e geração de empregos.

Para empresas brasileiras, representa uma alternativa possível de organização produtiva — mas cuja viabilidade depende do custo total da operação, e não apenas da conhecida alíquota de 1%.

Com mais de US$ 1 bilhão exportado em oito meses, a maquila passa a ocupar uma posição cada vez mais relevante na integração industrial entre Paraguai e Brasil.

Foto: Divulgação/Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai –
Redação – Thiago Salles

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