Medo e superstição: pessoas com albinismo vivem tensão durante eleições na Tanzânia.

Internacional

Na Tanzânia, o período de eleições traz esperança para muitos — mas também pavor para pessoas com albinismo. Em meio a campanhas políticas e comícios, superstições antigas voltam a ganhar força e transformam vidas em alvo de violência.

A tanzaniana Mariam Staford, de 42 anos, vive esse medo desde 2008, quando foi atacada dentro de casa por homens armados que acreditavam que partes do corpo de pessoas com albinismo traziam sorte e prosperidade. Mariam sobreviveu, mas perdeu ambos os braços e o bebê que esperava.

Desde então, ela vive reclusa na região do Kilimanjaro, onde recebe apoio de uma ONG que defende os direitos das pessoas albinas. “Mesmo depois de tantos anos, ainda sonho com aquela noite”, desabafa.

De acordo com a organização Under the Same Sun, mais de 200 ataques contra pessoas com albinismo foram registrados no país desde 2008, incluindo 79 mortes e dezenas de mutilações. Apesar dos avanços e campanhas de conscientização promovidas pelo governo, as crenças associadas à feitiçaria ainda persistem, principalmente em áreas rurais.

Autoridades locais reforçam a necessidade de unir comunidades, líderes religiosos e curandeiros tradicionais para acabar com as práticas violentas. A presidente Samia Suluhu Hassan também fez um apelo para que os eleitores rejeitem tais superstições e respeitem os direitos humanos.

Ainda assim, muitos, como Mariam, preferem não sair de casa durante o período eleitoral. “O medo é parte da minha rotina. Só quero viver em paz”, afirma.

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