Os fãs de rock do Rio de Janeiro têm enfrentado uma frustração recorrente: as grandes turnês internacionais que passam pelo Brasil raramente incluem a cidade na agenda. Nomes como Guns N’ Roses, Oasis e Linkin Park, que agitam multidões em outros estados, não têm feito paradas na capital fluminense.
Segundo produtores e especialistas do setor, o fenômeno se explica por uma combinação de fatores — econômicos, logísticos e culturais. O diretor do Qualistage, Bernardo Amaral, explica que São Paulo possui infraestrutura mais favorável, com arenas modernas e de fácil acesso, como o Allianz Parque. “O estádio paulista é referência para grandes eventos, o que naturalmente atrai as turnês. Já no Rio, as opções são limitadas: o Maracanã só está disponível fora da temporada do futebol e o Engenhão enfrenta rejeição do público”, observa.
Além da infraestrutura, o poder aquisitivo dos paulistas e curitibanos contribui para o desequilíbrio. Segundo o Sindicato Nacional dos Promotores de Eventos, o tíquete médio para shows internacionais ultrapassa R$ 500, o que limita o público e afeta o retorno financeiro das produtoras.

Outro ponto levantado é o perfil do público carioca. Apesar de sediar o Rock in Rio, o Rio tem uma identidade musical mais ligada ao samba, ao pagode e ao funk, o que reduz a demanda por shows de rock e pop internacional. “O mercado carioca é diferente. As grandes produtoras precisam de um olhar local para entender o público e escolher os espaços certos”, afirma Amaral.
Há também desafios financeiros específicos. No Rio, a taxa de conveniência cobrada na venda de ingressos é limitada a 10%, contra 20% em outras regiões, o que reduz a margem de lucro das produtoras. “Quando se somam todos os custos — impostos, logística e segurança —, o resultado fica pouco atrativo para os organizadores”, explica Luiz Guilherme Niemeyer, da produtora Bonus Track.
Mesmo com o cenário adverso, há esperança de retomada. Em 2026, o Rio já tem na agenda shows de artistas como Bryan Adams, The Weeknd, Dua Lipa e Now United, reacendendo o otimismo dos fãs e do mercado.

Green Day no Rock in Rio de 2022: show que seria realizado no Engenhão, em setembro, foi cancelado — Foto: Guito Moreto.