Operação revela que PCC lucra com postos usados para lavar dinheiro no Nordeste.

Brasil

A Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta terça-feira (4), trouxe à tona uma nova estratégia financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo criminoso, conhecido por lavar dinheiro por meio de empresas de fachada, passou a lucrar diretamente com as atividades criadas para disfarçar a origem do dinheiro ilícito.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas, a facção paulista utilizava fundos de investimento baseados na Avenida Faria Lima, em São Paulo, para controlar uma rede de postos e distribuidoras de combustíveis nos Estados do Piauí, Maranhão e Tocantins.
“Eles perceberam que a atividade usada para lavar o dinheiro também podia gerar lucro, desde que houvesse ajustes ilegais, como fraude fiscal e sonegação”, explicou o secretário.

A operação, conduzida em conjunto pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Ministério Público do Piauí (MP-PI) e Polícia Civil, resultou na interdição de 49 postos e na suspensão de 73 empresas ligadas ao grupo investigado. Foram também bloqueados R$ 348,7 milhões em bens e quatro aeronaves pertencentes aos suspeitos.

As investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 5 bilhões através de empresas de combustíveis que operavam com nomes diferentes — entre elas, Postos HD, Pima Energia e Rede Diamante — para disfarçar a origem dos recursos.
Entre os principais alvos estão empresários e gestores financeiros com atuação em São Paulo e no Nordeste, apontados como operadores do braço financeiro da facção.

De acordo com o secretário Chico Lucas, o caso representa uma mudança de paradigma nas operações do crime organizado. “O que antes era apenas um meio para lavar dinheiro se transformou num negócio rentável por si só. Eles perceberam que adulterar combustível e sonegar imposto era tão lucrativo quanto o tráfico”, destacou.

Operação Carbono Oculto fechou 49 postos de combustíveis em três Estados por suspeita de lavagem de dinheiro do PCC Foto: Reprodução/TV Globo

A Justiça determinou o bloqueio de valores, mas negou os pedidos de prisão temporária, impondo medidas cautelares aos investigados, como proibição de sair do país e de comunicação entre os suspeitos.
As investigações continuam com foco na origem dos fundos e na extensão da participação da facção no setor de combustíveis.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *