Uma crise humanitária envolvendo animais tem mobilizado organizações internacionais após a situação crítica do navio Spiridon II vir à tona. A embarcação, que deixou o porto de Montevidéu em 19 de setembro carregando 2.901 vacas e bezerros, segue navegando em condições extremas após ser impedida de descarregar sua carga no porto de Bandirma, na Turquia, em outubro.
As autoridades turcas recusaram a entrada da remessa ao constatarem que 469 animais não possuíam os brincos ou chips de identificação exigidos pelas normas sanitárias do país. Sem autorização para atracar, o Spiridon II permaneceu ancorado por semanas, agravando a situação a bordo. Com a recusa definitiva, o navio iniciou a viagem de retorno ao Uruguai, estimada para ser concluída apenas em meados de dezembro.
A bordo, o cenário é descrito como alarmante. A superlotação e a falta de ventilação levaram ao aumento do estresse térmico entre os animais. Os estoques de água e alimento estão no limite, tornando a sobrevivência ao percurso incerta. Relatórios da organização World Animal Protection indicam que pelo menos 58 bovinos já morreram durante a travessia. Metade das vacas transportadas está prenha, e abortos têm sido frequentes devido às condições insalubres. Cerca de 140 bezerros nasceram durante o trajeto, mas enfrentam baixíssimas chances de sobrevivência.
Representantes da Animal Welfare Foundation classificaram o retorno forçado como uma “viagem de morte”, destacando a ausência de equipe treinada e de estrutura mínima para garantir o bem-estar dos animais. Segundo a ONG, a probabilidade de que a maioria chegue viva ao Uruguai é reduzida.
Enquanto autoridades uruguaias avaliam como proceder diante da iminente chegada do navio, organizações pedem a suspensão de embarques de animais vivos e responsabilização pelos danos já contabilizados.
Foto: Divulgação / Animal Welfare Foundation
Redação Brasil News