María Corina confirma contatos com governo Trump e critica proposta de Lula sobre Venezuela.

Internacional

A líder opositora venezuelana María Corina Machado confirmou ter mantido contatos com integrantes do governo de Donald Trump e voltou a rejeitar a mediação proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar uma solução diplomática na crise venezuelana.

Durante entrevista, Corina criticou a iniciativa brasileira e afirmou que “os venezuelanos não aceitariam uma negociação conduzida por quem apoia regimes autoritários”. Segundo ela, qualquer diálogo com Nicolás Maduro só deve começar a partir do reconhecimento da vitória da oposição nas eleições de 2024, resultado que o governo chavista contesta.

Atualmente vivendo em local não revelado dentro da Venezuela, María Corina defendeu publicamente o apoio militar dos Estados Unidos na região do Caribe, classificando-o como essencial para “pressionar o regime de Maduro”. Ela também confirmou encontros com representantes americanos em Washington, entre eles o ex-conselheiro de Segurança Nacional Mike Waltz, mas disse que “não comenta o conteúdo das conversas”.

Corina, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, tem se posicionado como principal voz da ala mais dura da oposição, que defende mudança imediata de regime com apoio de aliados estrangeiros.

A proposta de Lula de oferecer o Brasil como mediador em um possível acordo entre governo e oposição foi mal recebida pelo grupo de Corina, que considera o presidente brasileiro “conivente” com o chavismo.

Segundo analistas venezuelanos, a postura da opositora reforça o distanciamento entre a diplomacia latino-americana e a estratégia norte-americana, que aposta em sanções e pressão militar como formas de enfraquecer o regime de Maduro.

Enquanto isso, setores moderados da oposição — como o ex-candidato Henrique Capriles — defendem o diálogo interno, mas enfrentam resistência da ala radical liderada por Corina, que considera esse caminho uma “traição aos venezuelanos”.

Foto: Juan BARRETO / AFP.

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