Um novo relatório da organização internacional Oxfam aponta que a desigualdade ambiental reflete a desigualdade econômica global. Segundo o estudo, o 0,1% mais rico da população mundial emite, em apenas um dia, mais gases de efeito estufa do que metade da população mais pobre do planeta.
O documento, intitulado Saque Climático: como poucos poderosos estão levando o planeta ao colapso, revela que uma pessoa rica chega a emitir 800 quilos de CO₂ por dia, enquanto alguém entre os mais pobres gera apenas dois quilos diários — uma diferença de 400 vezes.
Entre 1990 e 2024, a participação dos mais ricos nas emissões aumentou 32%, enquanto a dos mais pobres caiu 3%, segundo a Oxfam. O relatório ainda alerta que 89% do orçamento de carbono global já foi consumido, restando pouco tempo para conter o aquecimento abaixo de 1,5°C, meta estabelecida pelo Acordo de Paris.
A diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, destacou que o estilo de vida e o padrão de consumo das elites estão diretamente ligados à crise climática. “Quem mais contribui para a poluição global deve arcar com a responsabilidade de mudar”, afirmou.
Além do consumo pessoal, os investimentos dos bilionários em setores de alto impacto — como petróleo, gás e mineração — ampliam significativamente suas pegadas de carbono. Segundo o levantamento, um bilionário médio gera 1,9 milhão de toneladas de CO₂ por ano apenas com suas aplicações financeiras.
O relatório também aponta a presença crescente de representantes das indústrias poluentes em eventos globais sobre clima, como a COP29, realizada em 2024 no Azerbaijão, onde havia 1.773 delegados ligados aos setores de combustíveis fósseis — superando o número de representantes de vários países vulneráveis às mudanças climáticas.
Para enfrentar o problema, a Oxfam recomenda taxar os super-ricos, restringir sua influência política em decisões ambientais e reforçar a participação da sociedade civil nas negociações climáticas.
“A crise climática é também uma crise de desigualdade. Enquanto poucos lucram com a destruição do planeta, bilhões de pessoas pagam o preço”, concluiu Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam Internacional.
Foto: Ralf Vetterle/Pixabay