Macron condiciona acordo Mercosul-UE à adoção de regras ambientais europeias pelo agro

Economia

O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou nesta quinta-feira (5) que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia poderá ser finalmente assinado ainda este ano — desde que o setor agropecuário sul-americano adote os mesmos padrões regulatórios praticados pela Europa.

A fala ocorreu durante uma entrevista exclusiva concedida à GloboNews, logo após o encontro entre Macron e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Paris.

Segundo o líder francês, o maior obstáculo para a assinatura do tratado está relacionado às diferenças nos critérios de produção agrícola e ambientais entre os dois blocos. “Se os produtores do Mercosul desejam exportar para a Europa, isso deve ocorrer sob as mesmas regras sanitárias, ambientais e de segurança alimentar que exigimos dos nossos agricultores”, afirmou.

Macron destacou ainda que os termos do acordo estão desatualizados e foram mal construídos nas negociações anteriores, especialmente em relação à proteção do clima, biodiversidade e saúde pública. Para viabilizar a assinatura, o presidente francês propõe a inclusão de cláusulas-espelho ou salvaguardas que equilibrem os interesses comerciais e ambientais de ambas as partes.

Questionado se o tratado pode ser fechado até dezembro, Macron respondeu positivamente, desde que essas condições sejam aceitas. “Dessa forma, será possível convencer o meio rural francês de que o acordo é também vantajoso para eles”, declarou.

No mesmo evento em Paris, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva reiterou o compromisso com a conclusão do acordo e propôs um diálogo direto entre representantes do setor agropecuário dos dois países. “Se há resistência dos agricultores franceses, estou disposto a organizar uma reunião entre os dois lados. O comércio precisa ser equilibrado. Nós vendemos, compramos, e todos ganham”, afirmou Lula.

O presidente brasileiro também apontou que o fluxo comercial atual entre Brasil e França é desproporcional diante do potencial das duas economias, girando em torno de apenas US$ 9 bilhões anuais.

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