Em um dos discursos mais aguardados da 80ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas, realizada nesta terça-feira (23) em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou a tribuna internacional para afirmar que o Brasil está comprometido com a democracia e não irá tolerar tentativas de golpe ou ameaças à soberania nacional.
Sem mencionar diretamente o nome de Jair Bolsonaro, Lula destacou que o país tomou uma decisão histórica ao responsabilizar um ex-líder que atentou contra a ordem democrática. “Foi um processo transparente, com direito à ampla defesa, o que não existe em regimes autoritários. O Brasil reafirma sua posição como uma nação livre e soberana, guiada pela vontade de seu povo”, declarou o presidente.
A fala de Lula ocorre em meio ao agravamento das tensões diplomáticas com os Estados Unidos. As relações se deterioraram após sanções econômicas impostas pelo governo Trump, em resposta à condenação do ex-presidente Bolsonaro, que recentemente foi sentenciado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Durante o discurso, Lula também abordou temas como regulação das redes sociais e criticou ataques a medidas de controle digital, que segundo ele, “escondem interesses inconfessáveis”. O presidente reforçou que o Brasil seguirá vigilante na defesa de suas instituições e das liberdades civis conquistadas após décadas de regimes autoritários.
A Assembleia-Geral da ONU reúne líderes de 193 países e tem o Brasil tradicionalmente responsável pela abertura dos debates. Nesta edição, o discurso do presidente brasileiro evidenciou não apenas a política doméstica, mas também o cenário internacional conturbado.