Levantamento revela falhas legais em quase 23 mil processos de mineração no Brasil.

Economia

Um estudo divulgado pelo Monitor da Mineração, plataforma desenvolvida pelo MapBiomas, apontou que 22.668 dos 257.591 processos minerários ativos no Brasil apresentam algum tipo de inconsistência. O número representa 8,8% de todos os registros em atividade no país, indicando fragilidades importantes na fiscalização e no controle do setor.

A ferramenta reúne dados históricos de mais de oito décadas da Agência Nacional de Mineração (ANM) e cruza essas informações com mapas anuais de uso e ocupação do solo. O objetivo é tornar mais transparente a situação da mineração no Brasil e permitir que órgãos de controle, pesquisadores, jornalistas e a sociedade possam acompanhar a legalidade das atividades.

De acordo com os dados, a maior parte das irregularidades está relacionada à ausência de autorização válida para exploração. Ao todo, 11.394 processos não possuem concessão de lavra, permissão de extração, licenciamento ou autorização regular de pesquisa. Nessas situações, qualquer retirada de minério é considerada ilegal.

Outro ponto de preocupação são os 10.620 processos que atuam em locais onde a mineração é expressamente proibida por lei, como terras indígenas, unidades de conservação de proteção integral e áreas de preservação especial, como reservas extrativistas e reservas particulares do patrimônio natural. Em 654 processos, foi constatada a presença simultânea de irregularidade documental e atuação em área vetada.

No recorte por estados, Minas Gerais, Bahia e Pará lideram em número total de processos minerários. O Pará, no entanto, concentra o maior volume absoluto de irregularidades: 7.552 casos, o equivalente a 31,4% dos processos existentes no estado. Também se destacam proporcionalmente Mato Grosso e Minas Gerais, com índices relevantes de inconsistência.

Outro dado levantado pelo Monitor diz respeito ao não pagamento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), tributo destinado a estados, municípios e à União. Nos últimos seis meses analisados, 56,4% dos processos com obrigação de recolhimento apresentaram inadimplência.

A plataforma também permite a geração de relatórios detalhados por processo, com imagens de satélite, histórico da área, cruzamento de dados territoriais e indicadores técnicos, facilitando a identificação de práticas ilegais e ajudando a orientar ações de fiscalização.

Foto: José Cruz

Redação Brasil News

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