O clima de tensão na Faixa de Gaza voltou a crescer neste sábado (1º), após novos bombardeios israelenses em meio a um cessar-fogo frágil firmado entre Israel e o Hamas desde o dia 10 de outubro.
Segundo autoridades israelenses, os três corpos entregues pelo Hamas na sexta-feira não pertencem aos reféns sequestrados durante os ataques de 7 de outubro de 2023. A informação foi confirmada por exames forenses conduzidos pelo Exército israelense.
Fontes palestinas relataram explosões e disparos na região de Khan Yunis, no sul do território, reforçando o temor de que o acordo de trégua possa ser rompido.
“Não temos dinheiro, trabalho, comida, água, eletricidade ou internet. A vida não tem sentido”, desabafou a moradora Sumaya Dalul, de 27 anos, ao descrever a situação em Gaza.
Os recentes ataques aéreos de Israel deixaram dezenas de mortos. O bombardeio de 19 de outubro matou ao menos 45 pessoas, enquanto outro ataque, ocorrido no último dia 29, teria causado mais de 100 mortes, segundo fontes palestinas.
O acordo mediado pelos Estados Unidos previa a devolução de todos os reféns — vivos ou mortos — em troca da libertação de prisioneiros palestinos. Até agora, o Hamas entregou 17 dos 28 corpos prometidos.
As Brigadas Ezedin al-Qassam, braço armado do Hamas, alegaram ter proposto a entrega de “amostras de restos mortais não identificados”, mas afirmaram que Israel se recusou a recebê-las, exigindo a devolução integral dos corpos.
A situação humanitária na região segue crítica, com escassez de alimentos, água e energia. O Centcom, comando militar dos EUA no Oriente Médio, afirmou ter observado integrantes do Hamas saqueando caminhões de ajuda humanitária em Khan Yunis.

Conteúdo gráfico / Palestinos recuperam um corpo dos escombros de uma casa destruída em um ataque israelense noturno na Cidade de Gaza, em 29 de outubro de 2025.(Foto de Omar AL-QATTAA / AFP) ( AFP)
Na próxima segunda-feira (3), ministros de Relações Exteriores de países muçulmanos devem se reunir na Turquia para discutir novas ações de apoio ao plano de estabilização da região.
Desde o início da guerra, em outubro de 2023, mais de 68 mil palestinos morreram em Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde local. Do lado israelense, o conflito começou com o ataque do Hamas, que deixou 1.221 mortos e 250 reféns.

Foto de Omar AL-QATTAA / AFP) ( AFP)