A escalada do conflito no Leste Europeu ganhou um novo capítulo dramático nesta sexta-feira. Um ataque noturno lançado pela Rússia contra a Ucrânia provocou destruição em Kiev e cidades vizinhas, atingindo ao menos 20 edifícios residenciais e danificando a Embaixada do Catar na capital ucraniana.
Segundo o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, o ataque foi realizado com drones e mísseis, incluindo o míssil hipersônico Oréshnik. O bombardeio deixou ao menos quatro mortos e 24 feridos, números confirmados pelas autoridades locais e pelo próprio chefe de Estado.
Durante a ofensiva, todo o território ucraniano entrou em alerta máximo após a detecção de bombardeiros russos no espaço aéreo. Em Kiev, bairros inteiros ficaram sem energia elétrica e aquecimento. O prefeito da cidade, Vitali Klitschko, classificou a ação como um “ataque intenso com mísseis” e alertou para o colapso parcial da infraestrutura urbana.
De acordo com a prefeitura, cerca de metade dos prédios residenciais da capital ficou sem aquecimento após danos severos à infraestrutura crítica. Com temperaturas chegando a –8 °C e previsão de queda ainda maior, Klitschko fez um apelo excepcional para que moradores deixem temporariamente a cidade, caso tenham condições, em busca de locais com fontes alternativas de energia e calor.
O ataque ocorreu poucas horas depois de Zelenski alertar a população sobre planos russos para uma ofensiva em larga escala. Após o bombardeio, o presidente voltou a cobrar uma resposta firme da comunidade internacional. “É necessária uma reação clara do mundo, especialmente dos Estados Unidos, cujos sinais a Rússia realmente considera”, declarou.
Enquanto esforços diplomáticos tentam abrir caminho para um eventual cessar-fogo, Moscou mantém ataques diários à Ucrânia, mesmo em meio ao inverno rigoroso. A Rússia, que iniciou a invasão em fevereiro de 2022 para barrar a aproximação ucraniana da Organização do Tratado do Atlântico Norte, voltou a afirmar que qualquer presença militar ocidental no território ucraniano será tratada como “alvo militar legítimo”.
O conflito, considerado o mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, segue sem sinais concretos de desescalada, ampliando a crise humanitária e a tensão geopolítica global.
Foto: Efrem Lukatsky / Associated Press
Redação Brasil News