Guerra no Irã dispara commodities e pode beneficiar exportações do Brasil, dizem especialistas.

Economia

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem provocado fortes impactos na economia global e já começa a influenciar diretamente os preços de commodities estratégicas, como petróleo, fertilizantes e alimentos. Esse cenário levanta questionamentos sobre os possíveis efeitos para países exportadores de matérias-primas, como o Brasil.

O conflito intensificou tensões no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e insumos agrícolas. O bloqueio parcial da região pela Guarda Revolucionária iraniana reduziu a oferta de energia e fertilizantes no mercado internacional, elevando os preços desses produtos.

Analistas destacam que cerca de um terço do comércio global de fertilizantes passa por essa rota marítima. Além disso, o próprio Irã é um grande exportador de ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados pela agricultura mundial.

Esse cenário já começa a refletir no mercado de matérias-primas. O índice CRB, considerado um dos principais indicadores globais de preços de commodities como petróleo e alimentos, atingiu recentemente o maior nível desde 2011.

Diante desse contexto, economistas discutem se o Brasil pode viver um novo ciclo favorável de exportações, semelhante ao chamado “boom das commodities” ocorrido entre o início dos anos 2000 e o começo da década de 2010. Naquele período, a forte demanda da China impulsionou os preços internacionais e contribuiu para o crescimento econômico brasileiro.

Hoje, o Brasil ocupa posição estratégica no mercado global de matérias-primas. O país é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, além de ocupar posição relevante na produção e exportação de petróleo.

A soja, por exemplo, representa um dos principais produtos da balança comercial brasileira. Cerca de 80% da soja exportada pelo país tem como destino a China, principal parceiro comercial do Brasil. Em 2025, o grão respondeu por aproximadamente 34,5% das exportações nacionais.

Apesar da alta nos preços das commodities, especialistas afirmam que o cenário atual é diferente daquele observado duas décadas atrás. A economia chinesa, que foi o principal motor do boom anterior, vem apresentando crescimento mais moderado nos últimos anos.

Mesmo assim, o aumento nos preços internacionais pode elevar a receita das exportações brasileiras. Segundo especialistas, a tendência é de ganhos moderados, sem repetir o crescimento extraordinário observado no passado.

Outro fator que pode influenciar o mercado é a oferta de fertilizantes. Caso a crise afete a produção agrícola em países do Hemisfério Norte, compradores internacionais podem aumentar a demanda por produtos agrícolas brasileiros.

Por outro lado, o cenário também apresenta riscos. A alta nos preços do petróleo e dos fertilizantes pode gerar efeitos inflacionários no Brasil, afetando custos de transporte, produção agrícola e alimentos.

Além disso, o aumento da instabilidade geopolítica tende a elevar a percepção de risco nos mercados internacionais, o que pode impactar investimentos e a economia de países emergentes.

Economistas destacam que, no curto prazo, o consumidor pode sentir os efeitos negativos dessa instabilidade global. Já no médio e longo prazo, o Brasil pode se tornar mais atrativo para investimentos por estar distante das regiões de conflito e possuir forte capacidade de produção de energia e alimentos.

Mesmo assim, especialistas ressaltam que o cenário permanece incerto e que os efeitos econômicos da guerra podem continuar sendo sentidos mesmo após o fim do conflito.

Foto: Silvio Avila / AFP / Getty Images
Redação Brasil News

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