Explode nas redes acusação de “desemprego maquiado”, mas dados mostram outra realidade no IBGE.

Brasil

Uma onda de publicações nas redes sociais levantou suspeitas sobre uma suposta manipulação nos números do desemprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As mensagens afirmavam que beneficiários do Bolsa Família estariam sendo excluídos das estatísticas, elevando a chamada “taxa real” para 16,6%. No entanto, a informação não procede segundo a metodologia oficial do órgão.

O debate ganhou força em meio a um cenário de tensão interna no instituto, com críticas de servidores à atual gestão. Ainda assim, especialistas reforçam que o cálculo da taxa de desocupação segue padrões internacionais e considera a proporção de pessoas sem trabalho dentro da força de trabalho ativa, independentemente de receberem benefícios sociais.

De acordo com o próprio IBGE, pessoas atendidas por programas como o Bolsa Família podem ser classificadas como ocupadas, desocupadas ou fora da força de trabalho, dependendo da situação individual. Ou seja, não existe exclusão automática desse grupo das estatísticas. Dados do Cadastro Único mostram inclusive que mais da metade das famílias beneficiadas possui ao menos um integrante trabalhando.

A taxa oficial de desemprego no terceiro trimestre de 2025 ficou em 5,6%, o menor nível desde o início da série histórica em 2012. Já números mais altos divulgados nas redes surgem de cálculos alternativos que incluem grupos como desalentados e trabalhadores subocupados, indicadores que o próprio IBGE divulga separadamente como taxa de subutilização da força de trabalho, atualmente em torno de dois dígitos, mas diferente da taxa oficial de desocupação.

Especialistas destacam que a metodologia brasileira segue recomendações da Organização Internacional do Trabalho e é amplamente utilizada para permitir comparações internacionais. O instituto reforça que mudanças metodológicas não são feitas para favorecer governos e passam por debates técnicos com especialistas e pesquisadores.

Foto: Divulgação / IBGE
Redação Brasil News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *