A paixão pela ciência e a persistência abriram caminho para Lana Passos Milhomem, de 23 anos, e Amanda Fonseca da Costa, de 25, alcançarem um feito raro na academia: ingressar diretamente no doutorado em Biotecnologia da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande (MS), sem a etapa do mestrado. Formadas em nutrição e enfermagem pelo Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), as jovens são exemplo de como a iniciação científica pode transformar trajetórias.
A dupla, apelidada pelos colegas de “Parceirinhas de IC”, iniciou a jornada na pesquisa durante a graduação, participando de projetos de iniciação científica (Pibic) orientados por professores que as incentivaram a seguir carreira acadêmica. As experiências acumuladas, publicações internacionais e o envolvimento com grupos de estudo foram determinantes para a aprovação direta no doutorado.
Lana e Amanda desenvolveram seus primeiros estudos sob orientação dos professores Octávio Franco, Filipe Moura e Bernardo Petriz, nomes reconhecidos na área de biotecnologia. Atualmente, elas dividem o tempo entre Brasília e Campo Grande, realizando parte das atividades práticas na Universidade Católica de Brasília (UCB).
No doutorado, as pesquisas seguem caminhos distintos, mas igualmente promissores. Amanda, que veio da área de enfermagem, agora investiga peptídeos voltados para o agronegócio, com foco no combate a pragas da soja — um dos setores mais importantes da economia nacional. Já Lana concentra seus estudos no desenvolvimento de peptídeos sintéticos que auxiliam no controle da obesidade, tema que começou a explorar ainda na graduação.
Além da conquista acadêmica, ambas destacam o significado simbólico de ocupar espaços de destaque na ciência, ainda marcada pela predominância masculina. “Estar na ciência como mulher é uma forma de mostrar que somos capazes e que não existem barreiras para o conhecimento”, afirma Lana. Amanda reforça: “A pesquisa é um ato de resistência e transformação. Queremos inspirar outras mulheres a seguirem esse caminho.”
Os orientadores também celebram o resultado. Para o professor Octávio Franco, o sucesso das ex-alunas demonstra o impacto da formação científica precoce:
“Quando a pesquisa é feita com propósito e incentivo, ela muda vidas e forma novas lideranças.”
As duas jovens reconhecem que o apoio familiar e institucional foi essencial. “Essa vitória é coletiva — nossa, de nossos professores e das nossas famílias, que sempre acreditaram em nós”, comenta Amanda.
📸 Foto: Marcelo Ferreira / CB / D.A. Press