A China está acelerando seus investimentos em tecnologias voltadas para a segurança hídrica e já se tornou uma das maiores referências mundiais em dessalinização. De acordo com um relatório divulgado pelas autoridades chinesas, o país encerrou 2025 operando 167 projetos capazes de transformar água do mar em água doce em larga escala.
As unidades estão distribuídas por dez regiões costeiras e juntas produzem aproximadamente 3,1 milhões de toneladas de água potável por dia. O volume é suficiente para atender milhões de pessoas e tem sido direcionado principalmente para abastecimento industrial, comunidades localizadas em ilhas remotas e áreas turísticas situadas no litoral.
A expansão demonstra como o governo chinês vem tratando a água como um recurso estratégico. Além de garantir o fornecimento para regiões com menor disponibilidade hídrica, a dessalinização ajuda a reduzir a pressão sobre rios, reservatórios e aquíferos utilizados tradicionalmente para consumo humano e atividades econômicas.
Grande parte dessa produção beneficia setores industriais que exigem enormes quantidades de água para suas operações. Indústrias ligadas à siderurgia, metalurgia e petroquímica estão entre as principais consumidoras da água produzida pelas usinas de dessalinização.
Nas ilhas mais afastadas do continente, os impactos também são significativos. Comunidades que antes dependiam do transporte de água por embarcações agora contam com sistemas permanentes de abastecimento. A melhoria da infraestrutura contribuiu para elevar a qualidade de vida dos moradores e estimular o desenvolvimento do turismo em diversas localidades.
Além da produção de água doce, a China está explorando outro potencial dos oceanos: a extração de minerais estratégicos presentes na água do mar. Projetos de pesquisa avançam na obtenção de elementos como lítio, urânio e deutério, matérias-primas consideradas fundamentais para setores como energia, tecnologia e fabricação de baterias.
Especialistas apontam que as reservas de urânio dissolvidas nos oceanos podem superar em milhares de vezes os depósitos conhecidos em terra firme, tornando o mar uma possível fonte de recursos para as próximas décadas.
Apesar dos avanços, o processo ainda enfrenta desafios. A dessalinização exige grande consumo de energia, o que aumenta os custos operacionais e pode gerar impactos ambientais dependendo da origem da eletricidade utilizada. Outro ponto de atenção é o descarte da salmoura, resíduo altamente concentrado em sal que precisa ser tratado adequadamente para evitar danos aos ecossistemas marinhos.
Mesmo diante dessas dificuldades, a China pretende ampliar os investimentos no setor até o fim da década. Os planos incluem novas instalações em cidades costeiras, parques industriais e regiões insulares, consolidando a água do mar como uma das principais apostas do país para garantir segurança hídrica e desenvolvimento econômico sustentável.
O avanço reforça uma tendência global: diante do crescimento populacional, das mudanças climáticas e da pressão sobre os recursos naturais, transformar água do mar em água potável pode deixar de ser apenas uma alternativa e se tornar uma necessidade para diversas nações ao redor do mundo.
Foto: Reprodução/China Daily
Redação – Ana Flavia