Novos e-mails do caso Epstein reacendem debate sobre menções a Trump e pressionam Câmara dos EUA por divulgação total dos arquivos.

Internacional

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira um conjunto de mais de 20 mil páginas de e-mails, mensagens e registros vinculados ao caso Jeffrey Epstein, magnata acusado de abuso sexual de menores e tráfico de pessoas. O novo material ganhou repercussão imediata após trechos revelados por parlamentares democratas sugerirem que Donald Trump teria conhecimento de situações envolvendo uma das vítimas, embora não haja acusações formais contra o ex-presidente.

Virginia Giuffre acusava o Príncipe Andrew de abuso sexual — Foto: Reprodução da internet

O pacote de documentos inclui comunicações enviadas por Epstein para duas pessoas de sua longa rede de relacionamentos: Ghislaine Maxwell — atualmente condenada a 20 anos de prisão por envolvimento direto no esquema — e o escritor Michael Wolff, autor de livros sobre Trump. Em uma das mensagens enviadas a Maxwell, datada de 2011, Epstein menciona uma vítima com quem Trump teria passado algumas horas em sua casa, questionando o fato de o nome do republicano não aparecer nas denúncias.

A Casa Branca reagiu acusando os democratas de manipular a divulgação para criar uma “narrativa infundada” contra o presidente, afirmando que Trump rompeu relações com Epstein no início dos anos 2000 após acusações de assédio a funcionárias de Mar-a-Lago, incluindo Virginia Roberts Giuffre — que anos depois se tornaria uma das principais denunciantes do caso.

Outro conjunto de e-mails traz conversas entre Epstein e Michael Wolff. Em uma mensagem de 2015, o escritor orienta Epstein sobre como responder à possível menção de Trump durante um debate republicano, sugerindo que a situação poderia gerar vantagem política. Já em 2019, Epstein afirma ao autor que Trump sabia das acusações envolvendo Ghislaine Maxwell e que o republicano teria criado um distanciamento público para evitar desgaste.

Além de Trump, o príncipe Andrew também aparece na nova leva de documentos. Um e-mail de 2011 enviado ao membro da família real britânica — liberado pela Câmara — mostra sua tentativa de negar qualquer envolvimento com uma massagista citada em reportagens da imprensa britânica.

A divulgação parcial reacendeu críticas contra o governo dos EUA por não liberar integralmente os arquivos ainda durante o governo Trump, promessa feita na campanha presidencial de 2024. A pressão resultou em nova movimentação legislativa: após obter as assinaturas necessárias, parlamentares encaminharam para votação um projeto que determina a liberação completa dos documentos do caso Epstein, independentemente da posição da liderança republicana.

A votação deve ocorrer na próxima semana, segundo o presidente da Câmara, Mike Johnson.

Foto: Reprodução

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