CEO da COP30 defende manifestações indígenas e diz que protestos fortalecem ambiente democrático.

Brasil

Belém — A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, afirmou nesta sexta-feira que os protestos realizados por grupos indígenas durante a conferência representam uma manifestação democrática legítima e não interferem no andamento das negociações climáticas. As declarações ocorreram após a mobilização dos mundurukus do Baixo Tapajós, que bloqueou por horas o acesso principal à área de debates do evento.

O protesto, iniciado ainda de madrugada, reuniu cerca de 100 representantes indígenas contrários ao Decreto 12.600/25 — que abre caminho para a privatização de estruturas hidroviárias, inclusive no Rio Tapajós — e ao projeto da Ferrogrão, previsto para ligar Mato Grosso ao Pará. Segundo as lideranças, ambos os empreendimentos ameaçam a integridade territorial dos povos originários e impactam diretamente modos de vida tradicionais.

A ação causou danos pontuais na área externa do evento e deixou dois seguranças com ferimentos leves, o que levou a ONU a solicitar informações formais ao governo brasileiro. Ainda assim, Toni reforçou que manifestações como essa são esperadas em conferências internacionais, e que o diálogo com as comunidades amazônicas é fundamental:
“Estamos ouvindo suas vozes. O Brasil tem uma democracia robusta, que garante o direito de protesto.”

Para contornar o impasse, participantes da COP30 foram orientados a usar uma entrada lateral. A liberação total do acesso só ocorreu após negociação envolvendo Ana Toni, o presidente da conferência, André Corrêa do Lago, e as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sonia Guajajara (Povos Indígenas). Em seguida, uma comitiva dos mundurukus foi recebida em reunião oficial.

Corrêa do Lago classificou o encontro como “construtivo e necessário”, afirmando que os indígenas entregaram documentos com reivindicações que serão encaminhadas às autoridades responsáveis.

Durante o evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também apresentou dados sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde global. Segundo ele, mais de 60% da população mundial já sofre consequências diretas desse cenário, e um em cada 12 hospitais corre risco de paralisação devido a eventos climáticos extremos.
“Essas evidências reforçam que a crise climática é, também, uma crise de saúde pública”, destacou.

Jornalista responsável pela foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Redação Brasil News

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