Uma situação inusitada e polêmica movimentou a Polícia Militar de São Paulo nesta semana. O soldado Emanuel Henrique da Silva, de 31 anos, foi preso preventivamente após se negar a realizar a limpeza de um banheiro na unidade onde atua, em Lençóis Paulista, no interior do estado.
Segundo o relato do tenente Éder Franco Brandão, de 42 anos, que deu voz de prisão ao subordinado, a ordem para a limpeza havia sido dada verbalmente e não foi cumprida. O militar alegou que a determinação era legítima e dentro da hierarquia.
Já a defesa do soldado sustenta que ele apenas solicitou uma ordem formal por escrito antes de executar a tarefa, o que teria provocado a reação do superior. Os advogados de Emanuel afirmam ainda que o policial sofre perseguição interna e que há indícios de discriminação racial, uma vez que ele é negro.
O episódio ocorreu na quarta-feira (22), por volta das 8h30. Após a prisão, o soldado foi encaminhado ao presídio militar Romão Gomes, na capital, mas foi libertado um dia depois, após audiência de custódia realizada pela Justiça Militar.
Em depoimento, o tenente Brandão declarou que o soldado já havia sido orientado a realizar a limpeza no início do mês e não o fez. A defesa, porém, contesta a versão, afirmando que Emanuel apenas pediu registro formal da ordem, pois a atividade de limpeza não faz parte das funções típicas de um policial militar.
A Federação Nacional de Entidades de Praças Militares se manifestou em nota, afirmando que a função de limpeza deve ser realizada por profissionais especializados e que a prisão configurou abuso de poder e constrangimento.
A Polícia Militar do Estado de São Paulo informou que o caso está sendo analisado internamente. O tenente preferiu não se pronunciar.
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