Um caso alarmante envolvendo um simples suplemento alimentar acendeu um alerta internacional sobre os riscos do consumo de vitaminas sem controle rigoroso. O menino Roo, de apenas sete anos, sofreu uma grave intoxicação após ingerir vitamina D com concentração muito superior à indicada.
O caso ocorreu no Reino Unido e inicialmente gerou grande preocupação entre médicos e familiares. Os sintomas apresentados — perda de peso acentuada, sede excessiva, vômitos e fraqueza — levaram à suspeita de um possível tumor cerebral.
No entanto, após uma série de exames, foi constatado que o quadro era resultado de uma overdose de vitamina D, provocada por um lote defeituoso do suplemento. A concentração do produto consumido era cerca de sete vezes maior do que o padrão recomendado.
A substância, essencial para o organismo por ajudar na regulação do cálcio e na saúde dos ossos, pode se tornar extremamente perigosa em excesso. No caso de Roo, o nível elevado causou hipercalcemia — aumento anormal de cálcio no sangue — e levou a uma lesão renal aguda.
O tratamento havia sido prescrito para aliviar dores nas pernas, mas acabou colocando a vida da criança em risco. Especialistas afirmaram que, caso o uso tivesse continuado pelo período completo indicado, o desfecho poderia ter sido fatal.
A investigação revelou que o frasco utilizado fazia parte de um lote com erro de fabricação distribuído no país. Apesar de um recall ter sido emitido pelas autoridades responsáveis, a comunicação falhou e o alerta não chegou a tempo para evitar o uso do produto.
O caso também levantou questionamentos sobre a regulamentação de suplementos alimentares no Reino Unido. Diferente dos medicamentos, esses produtos não seguem o mesmo nível de controle rigoroso, o que pode abrir brechas para falhas graves.
No Brasil, a fiscalização de suplementos e medicamentos é realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que estabelece normas para garantir a segurança do consumidor.
Após um longo período de recuperação, os níveis de vitamina D no organismo do menino levaram cerca de um ano para retornar ao normal. Mesmo assim, ainda há incertezas sobre possíveis sequelas a longo prazo.
O episódio serve como alerta: mesmo substâncias consideradas comuns e seguras podem representar riscos sérios quando há falhas na produção ou no controle de qualidade.
Foto: Carys Hobbs-Sargeant
Redação – Thiago Salles