O coração financeiro do Brasil foi transformado no epicentro de um escândalo criminoso de proporções astronômicas. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal, deflagrou na manhã desta quinta-feira (28) a Operação Fluxo Oculto. A megaoperação cumpre 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados (SP, PR, RJ, MG e MS) para desarticular uma rede financeira ultra sofisticada ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo os promotores, o esquema movimentou de forma atípica e criminosa a quantia chocante de quase R$ 26 bilhões, utilizando fintechs da Faria Lima e fundos de investimento para blindar o dinheiro ilícito.
As investigações revelaram uma ousadia extrema por parte dos criminosos, liderados pelos foragidos Mohamad Hussein Mourad (“Primo”) e Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”). Mesmo após sofrerem baixas em operações policiais no ano passado, os chefes da organização reestruturaram o bando rapidamente, criando novas empresas de fachada em nome de laranjas vulneráveis e migrando capitais entre plataformas de pagamento digital. Para mascarar o rastro do dinheiro do PCC, a quadrilha utilizava o mecanismo de “contas-bolsão” em instituições financeiras digitais — como BK Bank, Ceopag e Sispay —, criando uma zona de opacidade onde os bancos tradicionais enxergavam apenas a fintech, ocultando os CNPJs criminosos que movimentavam até 56 postos de combustíveis em uma única conta.
A engenharia do crime operava em três frentes de choque. Além do duto financeiro das fintechs, a chamada “máfia do nafta” desviou mais de 135 milhões de litros de solvente petroquímico importado por meio de notas fiscais frias emitidas por distribuidoras como a Petrodansk. Os caminhões desviavam as rotas para misturar o solvente diretamente à Gasolina Tipo A, revendendo o combustível adulterado ao consumidor final e gerando um rombo de R$ 200 milhões em sonegação fiscal. Na terceira ponta, fundos de investimento (FIDC-NP) eram usados para simular operações comerciais legítimas e dar aparência lícita ao patrimônio. A Justiça determinou o bloqueio imediato do patrimônio líquido dos fundos envolvidos para sufocar as finanças da maior facção do país.
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Redação – Thiago Salles