Atualização do IBGE redefine fronteiras: Mata Atlântica perde área e Cerrado avança no Sudeste.

Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou uma nova atualização dos limites dos biomas brasileiros, redefinindo a divisão entre Mata Atlântica e Cerrado nos estados de São Paulo e Minas Gerais. A reavaliação técnica ampliou em 1,8% a área reconhecida como Cerrado e reduziu em 1% a porção atribuída à Mata Atlântica.

Foto: Fernando Frazão

Segundo o IBGE, a mudança não tem relação com processos recentes de degradação ou regeneração ambiental. Trata-se de uma revisão baseada em parâmetros científicos que incluem clima, geologia, relevo, tipos de solo e características da vegetação. As alterações ocorreram sobretudo em regiões de transição, onde há mistura natural entre florestas estacionais e formações savânicas.

Ao todo, aproximadamente 19.869 km² passaram por atualização de classificação. Em Minas Gerais, as mudanças somaram 816 km², enquanto em São Paulo foram reavaliados mais de 19 mil km². Entre os ajustes, destaca-se a expansão da Mata Atlântica na região metropolitana de Belo Horizonte, que agora engloba toda a capital mineira e áreas ao norte. Já o Cerrado ganhou espaço no centro-norte paulista, região onde o bioma é protegido por legislação específica desde 2009.

A reclassificação atinge áreas como o nordeste de São Paulo, parte do Triângulo Mineiro e trechos da Serra do Espinhaço. Entre os municípios impactados estão Sacramento, Diamantina, Conceição do Mato Dentro, Uberaba e Belo Horizonte, em Minas, além de Franca, Ribeirão Preto, Piracicaba, Barretos e Votuporanga, em São Paulo.

Desde a publicação de Biomas e Sistema Costeiro Marinho do Brasil, em 2019, o IBGE passou a mapear essas áreas com maior precisão, utilizando escala 20 vezes mais detalhada que a anterior. As revisões agora acontecem de forma contínua, apoiadas em expedições de campo e consultas a especialistas, além de demandas enviadas por órgãos ambientais e organizações da sociedade civil.

A atualização, segundo o instituto, busca garantir que políticas públicas, estudos ambientais e ações de conservação se apoiem em dados mais precisos e alinhados à realidade ecológica do território brasileiro.


Foto: Fernando Frazão
Redação Brasil News

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