O mercado brasileiro de chocolates deve passar por uma transformação significativa nos próximos meses. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova legislação que endurece as regras para definir quais produtos poderão ser oficialmente chamados de chocolate no país.
A principal mudança está no aumento da quantidade mínima de cacau exigida na composição dos produtos. Pela nova regra, somente alimentos com pelo menos 35% de cacau poderão receber oficialmente a classificação de chocolate. A medida busca diferenciar produtos tradicionais daqueles que utilizam maior quantidade de açúcar, gordura vegetal e aromatizantes artificiais.
Além disso, a legislação também estabelece critérios mais específicos para categorias como chocolate ao leite, meio amargo e chocolate branco, criando um padrão mais rígido para a indústria nacional.
A decisão foi comemorada por produtores de cacau e fabricantes que já trabalham com fórmulas consideradas premium. O setor acredita que a mudança pode fortalecer a imagem do chocolate brasileiro e estimular produtos de maior qualidade no mercado interno.
Por outro lado, especialistas alertam que a novidade pode pesar no bolso dos consumidores. O cacau enfrenta uma forte valorização no mercado internacional após problemas climáticos afetarem grandes regiões produtoras no mundo, reduzindo a oferta do ingrediente e elevando os custos da indústria.
Com a exigência de maior quantidade de cacau nas receitas, fabricantes terão custos mais elevados na produção. A tendência é que parte desse aumento seja repassada ao consumidor final, principalmente em barras, bombons e chocolates industrializados.
Empresas terão o prazo de um ano para adaptar embalagens, receitas e linhas de produção às novas exigências. A expectativa do setor é que as mudanças comecem a aparecer gradualmente nas prateleiras a partir de 2027.
Mesmo com a possibilidade de preços mais altos, fabricantes apostam em um consumidor mais exigente e atento à qualidade dos ingredientes. Nos últimos anos, cresceu no Brasil o interesse por chocolates com maior teor de cacau, menos aditivos e produção artesanal.
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Redação – Thiago Salles