O Paraguai deu um passo que pode mudar o rumo de sua economia e aumentar a disputa por investimentos na América do Sul. O presidente Santiago Peña regulamentou a Lei nº 7.547/2025, que atualiza o regime de maquila e, pela primeira vez, inclui de forma clara as empresas de serviços entre as beneficiadas pelo modelo. A medida abre espaço para que grupos estrangeiros das áreas de tecnologia, call center, backoffice, processamento de dados e suporte administrativo escolham o país como base de operação para exportar serviços.
Com a nova regulamentação, o governo paraguaio tenta vender ao mercado internacional uma combinação bastante agressiva: baixa carga tributária, devolução de 0,5% do crédito do IVA para empresas enquadradas no regime e promessa de processos mais simples para abertura e funcionamento de novos negócios. A leitura oficial é clara: mesmo arrecadando menos por empresa, o país acredita que pode compensar isso atraindo mais operações, mais capital externo e mais empregos formais.
Até então, a maquila no Paraguai era associada sobretudo à produção industrial, com foco em montagem, transformação de matérias-primas e atividades fabris. Agora, ao incorporar o setor de serviços, o governo amplia o alcance do programa e mira segmentos que exigem menos estrutura física pesada e podem crescer com mais rapidez, desde que haja conectividade, escritório e mão de obra qualificada.
A mudança também vem acompanhada de uma reformulação institucional. Segundo o governo paraguaio, a governança do regime passa a contar com maior participação de órgãos ligados à arrecadação e ao trabalho, numa tentativa de equilibrar incentivo fiscal com geração de vagas formais. Além disso, a promessa é de digitalização e simplificação de etapas burocráticas, reduzindo o tempo necessário para aprovar novos projetos.
O discurso do Palácio López é de que a medida não se resume a cortar tributos. O próprio presidente afirmou que o objetivo é criar empregos decentes e de qualidade, com remuneração capaz de melhorar a vida das famílias paraguaias. Na visão do governo, previsibilidade, estabilidade econômica e qualificação profissional também entram no pacote de atratividade do país para disputar investimentos com outros polos de serviços da região.
Hoje, o setor de serviços maquiladores já emprega cerca de 4 mil pessoas no Paraguai, e a expectativa oficial é de crescimento com a entrada de novas empresas internacionais. O plano é ampliar exportações com maior valor agregado, diversificar mercados e fortalecer a balança comercial. Se a estratégia funcionar, o país poderá se posicionar de forma mais competitiva no mercado sul-americano de serviços corporativos e tecnológicos.

Foto: Presidencia del Paraguay/Divulgação
Redação – Thiago Salles