O envelhecimento do cérebro pode estar muito mais ligado ao estilo de vida do que ao passar dos anos. Essa é a análise do médico Carlos Jaramillo, que chama atenção para hábitos modernos que impactam diretamente a saúde mental.
Segundo o especialista, o principal erro está em confundir estar ocupado com estar mentalmente estimulado. Atividades repetitivas do dia a dia, como o uso constante de celular, consumo rápido de conteúdo e a prática de multitarefas, podem reduzir a capacidade do cérebro de se desenvolver.
Esse comportamento afeta diretamente a chamada neuroplasticidade, responsável pela criação e fortalecimento das conexões neurais. Quando o cérebro é pouco desafiado, essas conexões tendem a enfraquecer com o tempo.
Além disso, há impacto na produção do BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), substância essencial para a formação de novas conexões e para a manutenção da memória. A redução desse fator pode levar à dificuldade de concentração, perda de foco e prejuízo na memória de trabalho.
Outro ponto importante destacado pelo especialista é o impacto da multitarefa no funcionamento cerebral. Estudos indicam que essa prática compromete regiões como o córtex pré-frontal, responsável por decisões, atenção e controle de impulsos.
Apesar do cenário preocupante, a boa notícia é que o cérebro pode ser estimulado em qualquer fase da vida. Atividades como aprender um novo idioma, tocar um instrumento, desenhar ou resolver problemas de forma ativa são capazes de fortalecer conexões neurais e melhorar o desempenho cognitivo.
O processo de criação de novas conexões, conhecido como sinaptogênese, continua ativo mesmo na vida adulta. Isso significa que pequenas mudanças na rotina já podem contribuir para um cérebro mais saudável e ativo ao longo dos anos.
Especialistas reforçam que a chave não está na quantidade de tarefas realizadas, mas na qualidade dos estímulos recebidos. Em um mundo cada vez mais acelerado, desacelerar e desafiar o cérebro pode ser essencial para preservar a saúde mental.
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Redação – Thiago Salles