O Ibovespa conseguiu fechar no campo positivo nesta terça-feira (24), mas o avanço foi sustentado praticamente sozinho pelo desempenho das ações ligadas ao petróleo, em um cenário global ainda marcado por forte tensão geopolítica.
O principal índice da bolsa brasileira subiu 0,32%, encerrando o dia aos 182.509 pontos, após oscilar entre a mínima de 179.914 e a máxima de 182.649 pontos. O volume financeiro movimentado foi de aproximadamente R$ 25 bilhões, refletindo cautela entre os investidores.
O destaque do dia ficou com a Petrobras, que avançou acompanhando a disparada do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent subiu mais de 4%, impulsionado pelas incertezas envolvendo a guerra no Oriente Médio, especialmente os desdobramentos do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel.
O cenário externo segue sendo o principal fator de pressão sobre os mercados. Após uma breve sinalização de possível trégua, novos ataques e declarações contraditórias entre autoridades reacenderam o clima de insegurança. Enquanto os Estados Unidos indicam tentativas de negociação, o Irã adota um discurso mais rígido, elevando o risco de prolongamento do conflito.
Esse ambiente mantém investidores globais em modo defensivo. Em Wall Street, o índice S&P 500 fechou em queda, refletindo a aversão ao risco, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano voltaram a subir.
Analistas apontam que o comportamento do mercado está altamente sensível às notícias vindas do cenário internacional. A volatilidade é alimentada principalmente pelas oscilações nos preços da energia, com o petróleo no centro das atenções.
No Brasil, o Banco Central reforçou, na ata do Copom, que a trajetória dos juros dependerá diretamente da evolução do cenário externo. A autoridade monetária iniciou recentemente um ciclo de cortes na Selic, reduzindo a taxa para 14,75% ao ano, mas deixou claro que o ritmo pode mudar conforme os riscos inflacionários.
Entre os destaques do pregão, além da Petrobras, empresas do setor de petróleo também registraram ganhos. Já o setor bancário apresentou leve correção após altas recentes. A Vale também subiu, acompanhando a valorização do minério de ferro na China.
Por outro lado, algumas ações ligadas ao consumo e à economia doméstica sofreram pressão, refletindo o impacto da curva de juros. O mercado segue dividido entre oportunidades de curto prazo e o receio de um cenário global mais deteriorado.
Mesmo diante das incertezas externas, o Brasil tem atraído fluxo de capital estrangeiro. Dados recentes mostram entrada significativa de recursos na bolsa, reforçando a percepção de que o país ainda é visto como um destino relativamente seguro dentro dos mercados emergentes.
Foto: Amanda Perobelli/Reuters
Redação – Thiago Salles