A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (20) que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu a licença ambiental para o início das perfurações no poço Morpho, localizado na bacia da Foz do Amazonas, no extremo norte da Margem Equatorial brasileira.
De acordo com a estatal, a sonda de perfuração já está posicionada no local e as operações devem começar imediatamente. O projeto busca avaliar o potencial da região para a produção de petróleo e gás natural em escala comercial.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, comemorou a decisão, classificando-a como “uma conquista da sociedade brasileira” e ressaltou que a empresa “seguirá operando com responsabilidade ambiental e segurança técnica”. Ela lembrou que o licenciamento foi resultado de quase cinco anos de diálogo com órgãos ambientais e autoridades locais.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também destacou a importância da exploração na Margem Equatorial, chamando a área de “a nova fronteira energética do Brasil”. Segundo ele, o país precisa conhecer todo o seu potencial petrolífero “dentro dos mais altos padrões internacionais de segurança e sustentabilidade”.
O processo de licenciamento do bloco FZA-M-59, onde o poço será perfurado, começou em 2014, mas enfrentou seguidas interrupções. A autorização foi negada em 2023 por inconsistências técnicas e pela falta da Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS). Após ajustes e novos estudos — que incluíram simulações de emergência, planos de contingência e reforço das estruturas de proteção à fauna —, o Ibama finalmente deu aval à operação.
A corretora Ativa Investimentos classificou a aprovação como “um avanço importante” que reduz incertezas regulatórias e abre espaço para uma nova fase de exploração energética no país. Analistas apontam que a região tem características geológicas semelhantes às da Guiana, onde recentes descobertas transformaram o cenário do petróleo sul-americano.
Apesar do otimismo do governo e da estatal, organizações ambientais alertam para os riscos de perfuração em uma área sensível da Amazônia Azul, destacando a necessidade de vigilância constante e planos de emergência eficazes.
O início das atividades na Foz do Amazonas é visto como um marco estratégico para o futuro energético do Brasil, ao mesmo tempo em que reacende o debate sobre a conciliação entre crescimento econômico e preservação ambiental.
Foto: Agência Petrobras