Cláudio Castro renuncia antes de julgamento e tenta escapar de cassação em meio a crise no RJ

Brasil Política

O cenário político do Rio de Janeiro entrou em turbulência após a renúncia do então governador Cláudio Castro, anunciada na segunda-feira (23). A saída ocorreu às vésperas do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que poderia resultar na cassação de seu mandato.

A decisão é vista como uma estratégia para evitar a perda formal do cargo, já que, ao renunciar, não há mais mandato a ser cassado. No entanto, especialistas apontam que a medida não impede uma eventual punição de inelegibilidade, que ainda pode ser aplicada pelo tribunal.

Castro, que é pré-candidato ao Senado, tinha até o início de abril para deixar o cargo dentro das regras eleitorais. Ainda assim, optou por antecipar sua saída, intensificando as movimentações políticas no estado.

Com a vacância do cargo e a ausência de vice-governador — já que o posto também havia sido deixado anteriormente — o Rio entra em um processo de eleição indireta. A escolha do novo chefe do Executivo deve ser convocada em até 48 horas e realizada em até 30 dias pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj).

Até a definição do novo governador, a chefia do Executivo estadual passa temporariamente ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A situação é considerada atípica e aumenta a instabilidade política no estado.

O cenário fica ainda mais complexo devido a disputas judiciais envolvendo as regras da eleição indireta. Uma lei recente, sancionada pouco antes da renúncia, alterava prazos e o formato de votação, mas parte dessas mudanças foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que pode impactar diretamente o processo de escolha do novo governador.

Além disso, nomes que poderiam assumir protagonismo na sucessão enfrentam entraves jurídicos, o que amplia as incertezas sobre o futuro político imediato do Rio de Janeiro.

Enquanto isso, o julgamento no TSE segue no radar. Mesmo fora do cargo, Cláudio Castro ainda pode enfrentar consequências que afetem sua elegibilidade e seus planos eleitorais.

Foto: Pedro Kirilos/Estadão
Redação – Thiago Salles

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