Crise de comando na Volks: presidente da montadora enfrenta rebelião interna contra cortes e fechamento de fábricas.

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O plano de reestruturação profunda liderado pelo presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, transformou-se em um embate aberto pelo controle estratégico da maior montadora da Europa. Durante uma assembleia que reuniu mais de 10.000 funcionários na sede da empresa, em Wolfsburg, Blume deu início a uma turnê pelas unidades fabris alemãs para tentar obter respaldo a um pacote de severa contenção de despesas, que prevê cortes massivos de postos de trabalho e a possibilidade inédita de encerramento de atividades em fábricas na Alemanha.

Apesar de contar com o aval decisivo das famílias proprietárias Porsche e Piëch, a gestão de Blume enfrenta forte oposição do comitê de trabalhadores e de acionistas públicos. Representantes dos funcionários e lideranças do Estado da Baixa Saxônia — detentor de participação societária relevante e poder de veto em decisões estratégicas — elaboraram propostas alternativas de reestruturação para serem levadas à apreciação do conselho fiscal na reunião agendada para o próximo dia 4 de setembro.

O desentendimento público evidencia a profunda divisão estrutural no comando da gigante automotiva. Na reunião anterior do conselho fiscal, realizada em julho, o presidente-executivo já havia falhado em obter a maioria necessária para chancelar o encerramento de instalações industriais e a redução de quadros. A apresentação das contrapropostas pelos representantes laborais e estaduais impõe novo entrave político às metas de corte de custos operacionais traçadas pela diretoria executiva.

A crise ocorre em um contexto de desaceleração na demanda por veículos elétricos e forte concorrência no mercado global, exigindo reposicionamento da fabricante. Sem um consenso entre a diretoria, o sindicato e o governo estadual, o futuro operacional das unidades alemãs da empresa permanece incerto, sob o risco de paralisações e escalada de greves nas próximas semanas.

Foto: Liesa Johannssen / Reuters

Redação – Thiago Salles

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