A corrida pelo governo de Minas Gerais ganhou uma dimensão que ultrapassa as fronteiras do estado. Com a confirmação de Cleitinho Azevedo como candidato do Republicanos, o cenário eleitoral mineiro passou por uma nova reviravolta e voltou a concentrar as atenções de partidos que também estão envolvidos na disputa pela Presidência da República.
Minas é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e ocupa uma posição estratégica nas eleições nacionais. Desde a redemocratização, o desempenho dos candidatos à Presidência no estado costuma ser acompanhado com atenção, principalmente porque o eleitorado mineiro reúne características políticas bastante diversas.
A candidatura de Cleitinho foi marcada por semanas de incerteza. O senador havia manifestado a intenção de disputar o Palácio Tiradentes, mas encontrou resistência dentro do próprio partido. Depois de insistir na candidatura, recebeu finalmente o aval do Republicanos para entrar na corrida.
A decisão modificou os cálculos dos demais grupos políticos. O partido optou por não apoiar oficialmente nenhum dos principais candidatos à Presidência, deixando Lula e Flávio Bolsonaro sem uma aliança direta com o nome que aparece em posição competitiva na disputa pelo governo estadual.
DISPUTA FRAGMENTADA
O eleitor mineiro encontrará uma eleição marcada pela presença de diferentes projetos políticos.
O PT lançou Patrus Ananias para o governo estadual, enquanto o PL confirmou Flávio Roscoe. O PSD colocou Mateus Simões na disputa e o PDT oficializou Alexandre Kalil.
A quantidade de candidaturas amplia a possibilidade de uma disputa pulverizada e torna mais difícil prever, neste momento, quais forças conseguirão chegar ao segundo turno, caso a eleição caminhe para essa configuração.
Para os candidatos à Presidência, entretanto, a eleição mineira possui importância adicional. Um bom desempenho no estado pode representar uma vantagem significativa na contagem nacional de votos e também oferecer uma estrutura política importante durante a campanha.
O PESO DO ELEITOR MINEIRO
Minas Gerais historicamente é tratado como um dos principais termômetros eleitorais do país. O estado possui um eleitorado numeroso e uma composição política que não se encaixa facilmente em apenas um campo ideológico.
Esse comportamento faz com que as campanhas presidenciais busquem alianças e palanques competitivos em território mineiro. A dificuldade de estabelecer uma aliança ampla em torno de um candidato ao governo pode obrigar os presidenciáveis a construir estratégias próprias para alcançar diferentes segmentos do eleitorado.
No caso de Lula e Flávio Bolsonaro, a ausência de uma aliança direta com Cleitinho significa que ambos terão de trabalhar com estruturas estaduais distintas durante a campanha.
CENÁRIO AINDA PODE MUDAR
Apesar das candidaturas já anunciadas, a eleição está longe de ter seu cenário completamente definido. Novas alianças, mudanças nas pesquisas e negociações entre partidos podem alterar novamente a configuração da disputa.
A campanha em Minas deverá, portanto, ser acompanhada não apenas por quem está interessado no governo estadual, mas também por aqueles que observam a corrida presidencial.
Com um eleitorado numeroso e uma tradição de protagonismo nas eleições nacionais, Minas Gerais novamente aparece no centro do tabuleiro político brasileiro.
Foto: TV Integração/Reprodução
Redação – Ana Flavia