Um estudante de 30 anos teve a bolsa integral do Programa Universidade para Todos (ProUni) negada após a análise de renda familiar considerar movimentações financeiras realizadas pela mãe em plataformas de apostas online.
Eduardo Luvizetto dos Santos havia sido pré-selecionado para cursar Psicologia em uma universidade particular de São Paulo. Segundo o estudante, ele passou três anos se preparando para o Enem com o objetivo de conseguir uma vaga no ensino superior por meio do programa.
Durante a etapa de comprovação de renda, porém, os extratos bancários da mãe apresentaram um volume elevado de depósitos e saques. Grande parte das operações estaria relacionada a plataformas de apostas e ao chamado Jogo do Tigrinho.
Movimentação não representava renda, diz estudante
Eduardo afirma que os valores movimentados não correspondiam à renda efetivamente recebida pela família. Segundo ele, a mãe enfrenta dependência em jogos de azar e utilizava parte dos recursos disponíveis, inclusive empréstimos consignados, para realizar apostas.
Apesar do alto volume de transações, o estudante afirma que o saldo da conta permanecia negativo devido às perdas acumuladas.
A família argumentou que as movimentações deveriam ser analisadas dentro desse contexto e não tratadas como renda disponível para o grupo familiar.
Recurso foi negado
Após descobrir o motivo da negativa, Eduardo apresentou um recurso administrativo. A instituição de ensino, entretanto, indeferiu o pedido e afirmou seguir as regras estabelecidas para a comprovação de renda do ProUni.
O estudante apresentou posteriormente um pedido de reconsideração, que ainda está em análise.
Caso não consiga reverter a decisão administrativamente, Eduardo afirma que pretende recorrer à Justiça para tentar garantir a bolsa.
Apostas acabam afetando acesso à universidade
A mãe do estudante declarou que nunca imaginou que sua condição relacionada ao vício em apostas pudesse acabar prejudicando diretamente o filho.
O caso chama atenção para uma situação em que movimentações financeiras elevadas podem não necessariamente representar aumento real da renda disponível de uma família.
Enquanto o estudante tenta demonstrar que os valores registrados nos extratos estavam relacionados às apostas e às perdas financeiras, a análise do benefício segue baseada nos critérios utilizados para verificar a renda familiar.
A situação agora aguarda uma nova avaliação da instituição. Para Eduardo, a principal questão é conseguir demonstrar que o dinheiro que circulou pela conta da mãe não significava renda efetiva da família.
FOTO: Reprodução/Arquivo pessoal
REDAÇÃO: Ana Flávia