Uma reportagem publicada pelo The New York Times revelou que a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, a CIA, teria criado uma força-tarefa destinada a aumentar a pressão sobre o governo de Cuba.
Segundo as informações divulgadas pelo jornal, a estratégia americana teria como um dos principais objetivos ampliar as divisões dentro da elite política cubana e favorecer a ascensão de dirigentes considerados mais pragmáticos, que poderiam estar dispostos a negociar com Washington.
A iniciativa ocorre em um momento de forte deterioração das condições econômicas e energéticas da ilha, marcada por sucessivos apagões e dificuldades para garantir o fornecimento de combustível e eletricidade à população.
Operações de inteligência
De acordo com fontes americanas ouvidas pelo New York Times, a força-tarefa reuniria diferentes recursos de inteligência. Entre as atividades mencionadas estão o recrutamento de agentes e a coordenação de operações cibernéticas.
A possível atuação ocorre em um contexto de crescente tensão entre Havana e Washington. O governo de Donald Trump tem adotado uma postura mais dura em relação a Cuba e aumentado a pressão econômica sobre o país.
A Casa Branca acusa o governo cubano de manter relações próximas com adversários dos Estados Unidos, incluindo Rússia, China e Irã. Havana, por sua vez, rejeita as acusações e responsabiliza principalmente as políticas americanas pelas dificuldades econômicas enfrentadas pela ilha.
Crise energética agrava situação
Enquanto a pressão externa aumenta, Cuba enfrenta uma grave crise no setor elétrico.
A infraestrutura energética do país sofre com anos de falta de investimentos, equipamentos antigos e dificuldades para obter combustível. Em 2026, a população passou por sucessivos apagões em diferentes regiões.
Em Havana, os períodos sem eletricidade têm afetado diretamente a rotina dos moradores. Falta de refrigeração, dificuldades para cozinhar e problemas para trabalhar estão entre os impactos relatados.
O governo cubano afirma que o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos desde 1962 contribui para dificultar a compra de equipamentos, combustíveis e outros recursos necessários para a manutenção da rede elétrica.
Pressão de Washington
A política americana em relação a Cuba também inclui medidas econômicas e diplomáticas. Nos últimos meses, Washington ampliou a pressão sobre empresas e indivíduos ligados ao governo cubano.
O governo Trump também passou a mirar o fornecimento de petróleo à ilha, um recurso fundamental para a geração de energia em Cuba.
A combinação entre sanções, dificuldades econômicas e problemas estruturais aumentou a pressão sobre o governo de Miguel Díaz-Canel.
Disputa geopolítica
A situação cubana também está inserida em uma disputa mais ampla pela influência política no Hemisfério Ocidental.
Os Estados Unidos consideram a aproximação de Cuba com países como Rússia, China e Irã uma questão estratégica. Washington afirma que as relações podem representar riscos à segurança nacional americana.
Para analistas, entretanto, a política de pressão sobre Havana também precisa ser compreendida dentro da estratégia de Trump para ampliar a influência dos Estados Unidos na região.
A eventual atuação de uma força-tarefa da CIA acrescentaria uma nova dimensão à disputa, caso as informações divulgadas pelo New York Times sejam confirmadas oficialmente.
Até o momento, as informações sobre a operação são baseadas em fontes ouvidas pelo jornal, e não em uma confirmação pública detalhada da CIA.
FOTO: Jornal Nacional/Reprodução
REDAÇÃO: Ana Flávia