Escondido sob as camadas profundas e a vegetação densa da floresta amazônica, no sul do Pará, repousa um gigante silencioso que está reescrevendo os livros de história natural do nosso planeta. Um grupo de cientistas brasileiros identificou na região de Uatumã os vestígios daquele que é considerado o vulcão mais antigo conhecido em toda a Terra, batizado de vulcão Amazonas. Com uma idade impressionante estimada em cerca de 1,9 bilhão de anos, a descoberta coloca o Brasil no epicentro dos estudos internacionais sobre como a crosta terrestre se consolidou e de que forma os primeiros blocos continentais ganharam vida.
No auge de sua fúria geológica, o Amazonas era uma estrutura colossal: possuía aproximadamente 22 quilômetros de diâmetro e um cone que chegava a atingir 400 metros de altura. O estudo detalhado, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Unicamp, e publicado na prestigiada revista científica Journal of South American Earth Sciences, revelou que a atividade magmática na região durou cerca de 300 milhões de anos. Embora bilhões de anos de erosão implacável, ciclos climáticos e o crescimento da floresta tenham apagado os cones e as crateras superficiais aos olhos humanos, as rochas profundas funcionaram como uma cápsula do tempo perfeita, preservando intactos os condutos de lava e depósitos minerais.
De acordo com o geólogo e professor da UFC Felipe Holanda, as formações mapeadas por sensoriamento remoto estão associadas a antigas supercaldeiras — estruturas circulares rebaixadas que expeliam volumes cavalares de lava e gases, semelhantes às que existem hoje no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos. As amostras de rochas extraídas da área provam que o magma circulava por fissuras em uma época em que a Terra ainda organizava sua atmosfera e estabilizava seus terrenos. “Hoje sabemos que não há vulcões ativos no Brasil, mas o Norte do país já foi uma região marcada por intensa atividade vulcânica”, explicou Holanda. Mais do que uma curiosidade do passado, o vulcão Amazonas é a própria base rochosa que sustenta a maior floresta tropical do mundo.
Foto: André Massanobu Kunifoshita / UFC
Redação – Thiago Salles