Vitória da ciência: Onça-parda reabilitada por 16 meses volta à mata e intriga biólogos ao retornar 3 vezes ao local do resgate.

Ciência

A reabilitação e devolução de grandes carnívoros ao seu habitat natural representam um dos desafios mais complexos para a medicina veterinária e para a biologia da conservação no Brasil. Um estudo detalhado publicado no prestigiado periódico Springer Nature documentou a impressionante jornada de recuperação e readaptação de um exemplar de onça-parda (Puma concolor) vitimado por atropelamento em uma rodovia cercada por fragmentos florestais.

Após o resgate emergencial, o felino permaneceu sob cuidados intensivos por 16 meses em um centro especializado de conservação. Na fase final de recuperação, a equipe médica adotou a técnica de soft release (soltura branda), transferindo o animal para uma vasta área cercada de pré-soltura. No recinto, os biólogos testaram e confirmaram a capacidade do predador de caçar presas vivas, se esquivar da presença humana e retomar hábitos crepusculares e noturnos típicos da espécie na vida selvagem.

Antes de ganhar a liberdade definitiva, a onça-parda recebeu um colar com tecnologia de telemetria por GPS e satélite, ferramenta que passou a emitir coordenadas geográficas em tempo real sobre seus deslocamentos. Para a surpresa dos pesquisadores que acompanham seus passos desde 2019, o animal registrou movimentações atípicas e refez a rota em direção ao trecho exato da rodovia onde fora atropelado quando filhote por três vezes consecutivas, utilizando a região como ponto de travessia e caça.

Os dados coletados pelo rastreamento não apenas comprovaram a plena capacidade de sobrevivência do indivíduo na natureza, mas também forneceram subsídios técnicos para a criação de políticas públicas de infraestrutura viária. Ambientalistas destacam que as informações do GPS reforçam a urgência da construção de passagens subterrâneas de fauna, instalação de cercas direcionadoras e sinalização reforçada em rodovias que cortam áreas de preservação, combatendo uma das maiores causas de mortalidade de grandes felinos no país.

Foto: Imagem criada por IA / ChatGPT / Olhar Digital

Redação – Thiago Salles

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