Trump fecha acordo bilionário no Cazaquistão e negócios dos filhos levantam suspeitas de conflito de interesses.

Internacional

Um acordo estratégico entre os Estados Unidos e o Cazaquistão para explorar uma das maiores reservas inexploradas de tungstênio do planeta está gerando forte repercussão internacional. O projeto, considerado essencial para fortalecer o fornecimento de minerais críticos à indústria norte-americana, também passou a ser alvo de questionamentos devido ao envolvimento de empresas ligadas aos filhos do presidente Donald Trump.

Segundo a investigação publicada pelo The New York Times, durante as negociações conduzidas pelo governo americano, investidores associados à empresa Dominari Securities, que possui participação de Donald Trump Jr. e Eric Trump, adquiriram uma fatia de uma companhia vinculada ao empreendimento de mineração.

O projeto prevê investimentos bilionários para desenvolver a exploração do tungstênio, matéria-prima considerada estratégica para a fabricação de equipamentos militares, semicondutores, aeronaves, eletrônicos e tecnologias de alta precisão.

Antes da assinatura do acordo, órgãos do governo dos Estados Unidos demonstraram interesse em oferecer até US$ 1,6 bilhão em apoio financeiro ao empreendimento, que também poderá receber outros investimentos públicos destinados ao fortalecimento da cadeia de minerais considerados essenciais para a segurança nacional americana.

A negociação ocorreu em meio ao esforço de Washington para reduzir sua dependência da China, atualmente a principal fornecedora mundial de tungstênio e outros minerais estratégicos utilizados pela indústria de defesa e pelo setor tecnológico.

O caso, porém, provocou críticas de parlamentares e especialistas em ética pública, que apontam possível conflito de interesses diante da participação financeira de familiares do presidente em empresas relacionadas a projetos beneficiados por ações do próprio governo.

A Casa Branca afirmou que todas as decisões tomadas tiveram como objetivo fortalecer a segurança econômica e estratégica dos Estados Unidos, negando qualquer favorecimento a interesses privados. Já representantes das empresas envolvidas sustentam que os investimentos seguiram critérios de mercado e que não houve interferência política nas negociações.

O empreendimento prevê o início da produção comercial até o fim da década e poderá transformar o Cazaquistão em um dos principais fornecedores mundiais de tungstênio, reduzindo a dependência dos Estados Unidos em relação ao mercado asiático.

Foto: Sergey Ponomarev/The New York Times

Redação – Ana Flavia

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