Tensão geopolítica faz barril disparar: Ataques do Irã e Houthis à Arábia Saudita inflamam mercado de petróleo.

Internacional

Uma onda de tensão geopolítica no Oriente Médio voltou a desestabilizar o mercado financeiro global e provovou uma forte disparada nos preços internacionais do petróleo. A escalada nos preços ocorreu logo após o grupo rebelde Houthi, aliado do governo iraniano, promover um ataque direto contra uma instalação administrativa da gigante estatal Saudi Aramco, localizado na cidade de Dhahran, na Arábia Saudita. O impacto gerou um incêndio e acendeu o alerta máximo entre investidores e analistas do setor energético em todo o mundo.

Paralelamente aos bombardeios em solo saudita, a situação no Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais estratégicas e vitais para o escoamento do petróleo mundial — atingiu níveis críticos de insegurança. O governo do Irã confirmou que passou a adotar novas táticas ofensivas para interceptar e atingir embarcações comerciais que transitam pela região. Em um dos episódios mais graves recentes, um navio porta-contêineres afundou após colidir com uma mina naval no sul do estreito, poucas horas depois de outros petroleiros terem sido atingidos por projéteis não identificados.

A reação do mercado financeiro foi imediata e refletiu o clima de pavor entre os operadores. O petróleo tipo Brent, utilizado como referência internacional, fechou em forte alta negociado a US$ 106,06 o barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), negociado nos Estados Unidos, saltou para US$ 95,09 por barril, atingindo o patamar mais elevado registrado nas últimas semanas. Analistas do setor destacam que o mercado opera fortemente guiado pelo medo de um desabastecimento prolongado e de novas interrupções nas rotas de exportação do Golfo Pérsico.

Apesar das pressões sobre a oferta global geradas pelo bloqueio norte-americano às exportações iranianas, a Arábia Saudita tem buscado redirecionar barris para suprir o mercado internacional. Contudo, especialistas alertam que o aumento do fluxo de navios nos mares não significa necessariamente uma elevação na produção total de petróleo, mas sim uma redistribuição de estoques que seriam destinados ao abastecimento de refinarias locais. A volatilidade dos preços deve continuar elevada enquanto os conflitos no Oriente Médio persistirem.

Foto: REUTERS

Redação – Thiago Salles

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